Alex Malacarne agora é Elite: a pista de Araxá é muito minha cara

Brasileiro mais rápido e único no pódio da Copa do Mundo no Brasil em 2024, Malacarne estreia na Elite e mira título brasileiro

Bikemagazine
25 de março de 2025

Alex Malacarne com o uniforme da nova equipe Specialized Racing BR

Do Bikemagazine
Foto de divulgação

“Este ano na Elite tem tudo para ser muito bom”. A afirmação é do mountain biker paranaense Alex Malacarne, atual campeão brasileiro da Sub-23 e que ingressa este ano na categoria principal do mountain bike como integrante da Specialized Racing BR. O ciclista foi confirmado na seleção brasileira que disputa nos dias 26 e 27 de abril o Panamericano de Mountain Bike, na Costa Rica.

No ano passado – pela equipe britânica Trinity Racing – , o ciclista de Medianeira fez história em Araxá ao terminar na terceira colocação ao lado do norte-americano Ridley Amos e do suíço Finn Treudler (veja notícia). Ainda em 2024, Malacarne cravou novamente a terceira colocação na Copa do Mundo em Lake Placid, nos EUA.

Malacarne, que completou 23 anos no dia 10 de março, estreou oficialmente na categoria Elite em fevereiro no Valdivia Bike Fest, no Chile, e conquistou a segunda colocação, logo atrás do chileno Martin Vidaurre, com seu companheiro de equipe Gustavo Xavier na terceira colocação.

“O resultado no Chile foi acima do esperado. Sabia que a vitória ia ser difícil. O Vidaurre, o Gustavo Xavier e eu andamos sempre na frente até os últimos metros”, resumiu Malacarne, que estreou no pódio da Elite com a camisa da nova equipe, uma das três únicas escuderias brasileiras a obter o wild card para as disputas em Araxá, em abril.

Malacarne foi o segundo colocado no Valdívia Bike Fest, no Chile, atrás do chileno Martin Vidaurre

No início de março, Malacarne foi segundo colocado no Desafio Dos Gigantes, em Mariana (MG), atrás do atual campeão brasileiro Ulan Galinski (Caloi-Henrique Avancini Racing).

Apesar dos bons resultados na Elite no início desta temporada, Malacarne é prudente quando fala de buscar o título nacional em seu primeiro ano na categoria principal.

“Mesmo correndo oficialmente na Sub-23 eu já competia algumas provas na Elite. Claro que vou buscar o título nacional e fazer o possível para vencer. Mas entendo que por ser meu primeiro ano na Elite, o título brasileiro não é algo que seja obrigatório conquistar. Quero ser campeão brasileiro na Elite se for merecido. Quando largo é para ganhar”, diz o ciclistas, que aponta o baiano Ulan Galinski, José Gabriel e o companheiro de equipe Gustavo Xavier como favoritos.

O paranaense ocupa atualmente a 35ª colocação no ranking UCI com 836 pontos. O melhor brasileiro é Ulan Galinski, na 28ª posição, com 942 pontos.

Mais rápido do Brasil

Em 2024, Malacarne foi o brasileiro mais rápido na Copa do Mundo em Araxá. Em uma análise detalhada dos resultados oficiais volta a volta é fácil constatar que o paranaense foi em média 15 segundos mais rápido por volta no circuito de Araxá em relação a Galinski, que correu na Elite.

“Sim, fui o brasileiro mais rápido, tanto que isto se provou na Copa Internacional uma semana depois em Araxá, quando venci na Elite. Aquela pista me favorece. Sou grande, tenho 1,86m e 74kg e isto não é favorável nas subidas inclinadas. Araxá é uma pista muito rápida.  A pista de Araxá é muito minha cara e espero desempenhar ainda melhor que no ano passado. Fiz pódio também na etapa da Copa do Mundo em Lake Placid, nos EUA”, destacou.

Malacarne comemora o pódio histórico na Copa do Mundo em Araxá – Foto de Jonathas Abrantes – Ultrafotos

Uma questão de pontos

A boa forma física, os resultados positivos e o bom desempenho na temporada 2024 não foram suficientes para levar Malacarne aos Jogos Olímpicos de Paris. O Brasil adota um sistema de pontuação no período ciclo olímpico que computa os dois últimos antes dos Jogos e o ciclista com mais pontos é quem fica com a vaga olímpica do Brasil.

“Sempre reforcei que este critério não é justo, se compararmos com outros países que selecionam os atletas para as Olimpíadas na última competição antes de fechar o ciclo olímpico. Suíça, Estados Unidos e França por exemplo, selecionaram os atletas com os resultados das etapas da Copa do Mundo no Brasil e de Nové Mesto. O que faz sentido, pois são os atletas que estão melhores fisicamente naquele momento. O critério do Brasil é uma somatória de pontos durante dois anos. No critério adotado no Brasil, não vai quem é o mais forte e sim quem tem mais pontos”, explica Malacarne.

Malacarne lembra que o Brasil por muito pouco não conquistou duas vagas para a disputa olímpica em Paris.

“Eu quase consegui a primeira vaga olímpica para o Brasil escalando ali de baixo. Se não fosse por um perrengue no Panamericano de MTB eu teria conquistado a vaga olímpica. Fiquei muito perto e isto mostrou que eu estava melhor fisicamente para disputar a Olimpíada. Vamos ver como vai ser o critério para o próximo ciclo olímpico”, resume.

Batalhar pela vaga e representar o Brasil em Los Angeles está, claro, nos planos de Malacarne. “Com certeza! Paris não estava nos meus planos e eu quase consegui a vaga. Se eu entrar com força total dois anos antes dos próximos Jogos Olímpicos acho que a gente tem chance”, completa.

Wild Cards

As mudanças nas regras para participar da Copa do Mundo UCI, que limita bastante o número de atletas e equipes no calendário da competição, não assusta nosso campeão brasileiro da Sub-23.

“Achei as mudanças positivas. O bom é que para cada etapa vai haver os wild cards e isto dá oportunidade para as equipes locais. Sem estes convites seria um pouco injusto. No geral, foi bacana, pois realmente limitou e elitizou o negócio. Agora sabemos que só os melhores do mundo estão ali participando e não é qualquer um que corre uma Copa do Mundo. Então se um atleta está na Copa, ele está num patamar diferente”, disse.

Vale lembrar que Alex Malacarne é campeão brasileiro e seu lugar está garantido na Copa do Mundo nesta temporada.

Mais sobre Alex Malacarne aqui.

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