Do Bikemagazine
Fotos de divulgação ASO
A Paris-Roubaix é uma corrida para especialistas, talvez a mais indomável das clássicas e certamente a que exige o máximo em termos físicos e técnicos. Sua crueldade e dureza assustam alguns, mas também inspiram muitos outros, que a tornam o ponto alto da temporada. Em 2025, a “Inferno do Norte” será dia 13 de abril.
Entre os frequentadores assíduos da Clássica dos Pavés, um seleto grupo de ciclistas ostenta um histórico de 100% de conclusões na prova. Mas qual é o segredo para completar a Paris-Roubaix?
John Degenkolb, Jasper Stuyven e Oliver Naesen nunca abandonaram a “Rainha das Clássicas”, o mesmo vale para Margaux Vigié e Chiara Consonni, que terminaram as quatro primeiras edições da Paris-Roubaix Femmes. Eles revelam para o paris-roubaix.fr os detalhes de sua preparação, a técnica que permite pedalar nos pavés, seus truques e até o aspecto mental do desafio, que eles dominam melhor que os demais.
O alemão John Degenkolb (Team Picnic PostNL) nasceu para vencer a Paris-Roubaix. Essa foi a profecia de seu ex-técnico na categoria Sub-23, Patrick Moster, antes do ciclista se profissionalizar e domar o pavé do “Inferno do Norte”, vencendo a Clássica em 2015 e também triunfando na chegada em Roubaix no Tour de France de 2018.
A vitória em 2018 foi como uma ressurreição, após um grave acidente sofrido em 2016, e também marcou seu único sucesso no Tour, em estradas para sempre associadas à primavera e a Degenkolb, tanto que o setor de pavé mais longo da Paris-Roubaix (de Hornaing a Wandignies-Hamage) agora leva o nome de Degenkolg.
Aos 36 anos, suas melhores pernas ficaram para trás, mas ele continua impressionando com seu domínio da corrida. Como qualquer outro, Degenkolb sofre no Inferno do Norte. Mas ele também pode se orgulhar de um histórico impecável de 12 conclusões em 12 participações. “Eu sempre terei a determinação de chegar de alguma forma ao velódromo”, garante, impulsionado pela experiência que acumulou desde 2011 no pavé da Paris-Roubaix.
Reconhecimento do percurso
Por mais que conheça as estradas e o pavé que levam a Roubaix como a palma da mão, cada edição é um novo calvário que exige uma preparação ideal. “Eu diria que 20, 30% desta corrida é definitivamente o que você precisa resolver antecipadamente”, avalia Degenkolb. “E não é apenas dois ou três dias antes, começa meses antes para estar pronto e garantir que tudo esteja definitivamente no lugar.”
“Todo o conjunto do dia tem que estar perfeito”, insiste, depois de vivenciar a maioria das armadilhas da Paris-Roubaix, sejam quedas dolorosas ou problemas mecânicos irreparáveis.
“Suas pernas têm que estar boas, sua cabeça tem que estar boa, você tem que estar mentalmente 100% pronto, seu equipamento, seus companheiros de equipe, o apoio na beira da estrada, o apoio da equipe… Somente se você conseguir se preparar o mais próximo possível de 100%, é que você pode ter um bom desempenho. Se você tiver alguns problemas, ainda pode superar. Mas se os problemas se acumulam, você não consegue mais entregar.”
Para aumentar suas chances, o veterano alemão faz reconhecimentos todos os anos, “não necessariamente para conhecer o percurso, mas para testar o material, especialmente se houver equipamentos novos”. Assim, a chance de tudo certo é maior e ajuda a evitar os pesadelos de 2012, quando obteve seu pior resultado (63º) em Roubaix,
“Foi o primeiro ano com câmbio eletrônico. Basicamente, assim que eu estava no pavé, eu não conseguia trocar de marcha”, lembra Degenkolb.
O choque da primeira vez nos pavés
Existe alguém no pelotão que conhece o pavé do Norte melhor que John Degenkolb? Além de seu histórico estelar na corrida, a estrela alemã é embaixadora de Les Amis de Paris-Roubaix, e o setor de Hornaing a Wandignies-Hamage foi até renomeado em sua homenagem em 2020 para reconhecer seu compromisso em salvar o evento Junior.
Degenkolb gosta muito dos pavés da Paris-Roubaix, mas não foi amor à primeira vista. “Na primeira vez que pedalei nos pavés de Roubaix, fiquei totalmente chocado, não conseguia acreditar que aquela era a floresta de Arenberg, onde estaríamos correndo três dias depois”, ele relembra.
“Eu sabia tudo sobre a Paris-Roubaix porque sou apaixonado e era fascinado assistindo como fã, mas não achava que era tão difícil. Quando digo às pessoas que nunca estiveram lá que estão perdendo estradas históricas do ciclismo, elas realmente não entendem o que quero dizer. É um desafio enorme e é tão diferente de qualquer outra coisa que você pode experimentar em uma bicicleta. Mesmo que eu encontrasse o pior setor de pavé da Alemanha, não seria nem perto do que temos em Nord-Pas-de-Calais.”
No entanto, nessa primeira participação, ele chegou em 19º, apesar de “uma queda muito boba no Carrefour de l’Arbre. Eu estava caído no chão, Boonen e Hushovd passaram voando por mim. Mas consegui continuar lutando até o velódromo.”
Sua garra e habilidade imediatamente confirmaram a previsão de seu técnico na categoria Sub-23, Patrick Moster: “Mesmo antes de eu me tornar profissional, eu nunca tinha estado no pavé de Roubaix e ele me disse: ‘Um dia você vai vencer Roubaix.’ Eu nunca vou esquecer isso.”
Depois do inferno vem o conforto, em um puro estilo Roubaix. John Degenkolb abraça totalmente a tradição ao tomar seu banho pós-corrida no vestiário histórico do velódromo. Todos os anos, ele se encontra com um punhado de ciclistas, mas ele se destaca com a placa que comemora sua vitória em 2015 e marca seu território como conquistador do Inferno do Norte.
Principais vitórias:
John Degenkolb (Picnic PostNL) Nascido em 7 de janeiro de 1989 em Gera (Turíngia, Alemanha)
Equipes: HTC-Highroad (2011), Argos-Shimano, Giant-Shimano, Giant-Alpecin (2012-2016), Trek-Segafredo (2017-2019), DSM, DSM-Firmenich, Picnic PostNL (desde 2022)
- Paris-Roubaix 2015
- Milan-Sanremo 2015
- Paris-Tours 2013
- Gand-Wevelgem 2014
- Cyclassics 2013
- 12 etapas em Grandes Tours (1 no Tour de France, 10 na La Vuelta, 1 no Giro)
RESULTADOS DE JOHN DEGENKOLB NA PARIX-ROUBAIX
2011: 19º
2012: 63º
2013: 28º
2014: 2º
2015: Vencedor
2017: 10º
2018: 17º
2019: 28º
2021: 53º
2022: 18º
2023: 7º
2024: 11º
Mais informações no site oficial paris-roubaix.fr








