Texto e fotos: Gustavo “Cebo” @guscebo
Especial para o Bikemagazine
Nesta reportagem do Bikemagazine, um dos quatro veículos de informação selecionados para o lançamento no Brasil, você confere todos os detalhes do novo grupo Shimano XTR Di2 M9200. Ao longo de dois dias nossa equipe teve a oportunidade de ter um contato direto com a nova linha de componentes em um evento organizado pela Shimano no bike park Mobai Bike Land, em São José dos Campos (SP).
Nos dois dias de muito pedal — que contou com a presença de Henrique Avancini —, nosso enviado especial Gustavo “Cebo” pedalou cerca de 30km com os novos componentes, enfrentando dezenas de singles, curvas, subidas, descidas e saltos, explorando ao máximo a novidade. Para os testes, foram utilizadas duas e-bikes: uma Sense Exalt e-Trail e uma Santa Cruz Heckler.
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Confira todos os detalhes do novo Shimano XTR Di2 M9200
O grupo topo de linha da Shimano consolidou ao longo dos anos como um pacote totalmente voltado ao desempenho competitivo no cross-country. Inclusive, ao apresentar sua última linha, o XTR M9100 com 12 velocidades, em maio de 2018, a Shimano foi clara: “Usem esse grupo para o XC, e o XT M8100 para pedais mais agressivos”.
Com a chegada do novo XTR Di2 M9200, toda essa filosofia mudou, criando um grupo que consegue ser ao mesmo tempo leve e robusto, com soluções de design que permitem a utilização em todos os tipos de bikes de alto desempenho — indo da mais leve XCzeira até as grandes e pesadas elétricas full-power. Certamente, a inspiração para essa mudança foi seguir o atual mercado da bike, onde as elétricas e as modalidades mais agressivas se tornaram fatias importantes do mercado.
O que mudou, começando pelo câmbio traseiro
Segundo a Shimano, o novo câmbio XTR Di2 M9260 foi projetado para resistir ao uso agressivo, incluindo quedas e impactos diretos. Essa robustez pode ser percebida no design externo do componente, que adota formas sem cantos vivos, permitindo que ele deslize em vez de travar ao atingir algum obstáculo. Além disso, o câmbio conta com um sistema de crash recovery, que desarma o mecanismo no momento do impacto e, em seguida, o reposiciona automaticamente — ao contrário da linha T-Type da Sram, o novo XTR continua utilizando gancheira.
O novo câmbio traseiro com o detalhe da bateria na parte inferior; componente ganhou tecnologia Crash RecoveryDurante a apresentação do componente, a equipe da Shimano destacou uma vantagem menos óbvia da gancheira. Além de proteger o câmbio ao entortar ou quebrar em caso de impacto, ela também oferece maior resistência a batidas vindas de baixo. Em um câmbio Sram, esse tipo de pancada pode fazer o componente girar fora da posição, exigindo que o ciclista pare, desmonte da bike e afrouxe o parafuso de fixação para reposicioná-lo corretamente — nada prático em uma competição.
O novo XTR conta com um novo mecanismo de estabilização chamado Shadow ES, que, além de ser bem menor — permitindo o desenho arredondado do câmbio —, dispensa a embreagem por atrito tradicional da Shimano. Agora, a estabilização é feita por um sistema com molas duplas, que gera alta tensão nos pinhões menores e menos pressão nos maiores, possibilitando trocas eficientes ao longo de todo o cassete.
Outro detalhe que chamou a atenção é o posicionamento da bateria, que entra por baixo do paralelogramo do câmbio e é coberta por uma tampa. Certamente, uma solução que isola mais o componente contra os elementos. Além disso, como a abertura é para baixo, a água tende a escorrer para longe dos contatos, e não na direção deles – além disso, nas e-bikes, o câmbio pode ser alimentado pela bateria da bicicleta.
Totalmente sem fios e com peso aferido de 415 gramas, o câmbio ainda tem roldanas sólidas, um contraponto às roldanas Magic Pulley da Sram, e um cage de carbono com duas opções de tamanho – longo, para cassete 10-51 e médio para o cassete 9-45, outra novidade que chega com a nova linha.
A Shimano ainda oferece o câmbio XTR Di2 na versão de 11 velocidades, que deve ser usando em combinação com os cassetes LinkGlide de 11 marchas. Três vezes mais duráveis e bem mais robustos, eles são uma ótima opção para as elétricas, inclusive liberando a função de auto-shift para trocas totalmente automáticas.
Nova relação com cassete 9-45 com mais distância para o chão
Não há como negar que os novos cassetes de grande amplitude para o mountain bike colocam o câmbio em uma posição mais vulnerável, simplesmente porque ficam mais próximos do chão. Por isso, para complementar sua linha de cassetes de alto desempenho — que até então contava com a relação 10-51, com 510% de amplitude de marchas —, a Shimano criou um novo cassete 9-45.
Com a novidade, o novo XTR fica 23mm mais longe do chão, o que por si só já ajuda a evitar problemas. Construídos com uma combinação de aço, titânio e alumínio, os cassetes XTR são bem leves: o modelo menor pesa 327 gramas, e o maior 373 gramas (valores aferidos com o pequeno suporte de plástico que mantém os pinhões unidos; os pesos oficiais divulgados são 324 e 371 gramas).
Segundo a Shimano, o novo pinhão de 9 dentes só foi possível graças ao novo sistema de tensionamento do cage, que oferece uma pressão realmente elevada nos pinhões menores. Além disso, a linha passa a contar com dois pedivelas — um para XC e outro para Enduro —, ambos com a mesma linha de corrente de 55mm.
O pedivela de XC, com peso de 570 gramas, tem Q-Factor de 168mm e opções de coroas de 30, 32, 34, 36 e 38 dentes, enquanto que o pedivela de Enduro é um pouco mais largo, com Q-Factor de 176mm e coroas de 28, 30, 32 e 34 dentes. Os pedivelas variam de 160mm até 175mm de comprimento.
A nova filosofia de robustez também está presente nesse componente, que utiliza coroas sólidas nas áreas sujeitas a impacto com o solo, reduzindo as chances de empenamento. Na balança, o pedivela já com coroa pesou 592 gramas.
Apesar da Shimano ter realizado melhorias no desenho dos dentes e rampas do pedivela e do cassete, a nova linha é compatível com os componentes antigos — uma grande vantagem para quem deseja migrar para a nova geração.
Trocador Di2 intuitivo
Apesar do desenho “diferentão”, o novo trocador Shimano XTR M9250R é realmente simples de usar e instalar, inclusive por sua compatibilidade com o padrão I-Spec EV da Shimano.
Totalmente sem fios e pesando 98 gramas, o modelo conta com ajuste de posição lateral e de rotação, além de botões totalmente configuráveis. Aliás, os botões foram o grande destaque deste componente, especialmente por serem alavancas com curso e clique que lembram bastante um trocador mecânico — o que ajuda a evitar trocas acidentais e aquela sensação “morta” de muitos trocadores eletrônicos que utilizam apenas botões simples para a mudança de marchas.
A filosofia de robustez também está presente no trocador, que conta com um terceiro botão para acionar a função de microajuste. Esse recurso permite regular o câmbio com a bike em movimento, de forma semelhante ao que se faz ao girar o barril de regulagem de tensão do cabo em um modelo mecânico.
Novos freios merecem um destaque especial
Durante a apresentação do novo grupo — e principalmente nos testes — os novos freios Shimano XTR chamaram tanto a atenção quanto o novo câmbio. Afinal, eles passaram por diversas melhorias que realmente fizeram a diferença no desempenho.
Agora, existem dois tipos de manete XTR, ambos equipados com a tecnologia ServoWave: um com alavanca em carbono, indicado para XC, e outro com alavanca de alumínio, voltado para Enduro e bikes elétricas. O novo manete M9220 traz inovações importantes, começando pela saída da mangueira, que agora fica mais próxima ao guidão. Além disso, ele tem um pivô reposicionado mais perto do guidão, o que melhora a ergonomia e reduz o movimento de “giro para dentro” ao acionar o freio – no total, o sistema de dois pistões pesou apenas 260 gramas, já com a mangueira.
Outro detalhe interessante é que o manete é inclinado 5 graus para cima, o que se adapta de forma mais natural ao dedo, completando a filosofia Ergo Flow. Mas, ao contrário do novo sistema de transmissão — bastante compatível com os modelos que estão saindo de linha —, os novos freios XTR utilizam um óleo mineral menos viscoso que, segundo a Shimano, elimina a variação no ponto de contato comum em muitos freios da marca, especialmente em situações de mudança de temperatura.
Naturalmente, a nova linha conta com pinças de 2 ou 4 pistões, ambas construídas em peça única para evitar torções, e com selos mais eficientes para evitar vazamentos do novo óleo mais fino. Apesar de muitas dessas mudanças poderem parecer apenas discurso técnico, os novos freios realmente entregam um desempenho superior ao da geração anterior — que, diga-se, já era excelente.
Cubos com rolamentos e rodas de carbono
Aos poucos, a Shimano vai aposentando sua tradicional tecnologia de cubos cup and cone, em favor de modelos equipados com rolamentos industriais, que acabam sendo mais simples de manter e adquirir. Os novos cubos M9210 da Shimano seguem essa linha. Segundo a marca, eles são mais leves que a geração anterior, oferecem menor arraste e contam com engate rápido de apenas 3,5 graus de rotação.
O modelo continua utilizando roda livre para cassetes Microspline e traz versões para raios J-Bend e Straight Pull, que acompanham as novas rodas de carbono, disponíveis em opções para XC e Enduro. No modelo para XC, o aro tem 29,6 mm de largura interna, usa raios retos e construção com gancho (hooked). Já no Enduro, a Shimano optou por raios J-Bend e aros hookless de 30 mm.
Aplicativo E-Tube
O já tradicional aplicativo E-Tube da Shimano também funciona com sua nova linha de grupos eletrônicos, permitindo que tudo seja configurado ao gosto do freguês. Isso quer dizer que, com apenas alguns toques no celular, características como a velocidade das trocas e até mesmo quantos pinhões a corrente deve percorrer com os botões apertados podem ser facilmente ajustadas.
Além disso, para as elétricas, o aplicativo permite configurar as funções Free Shift e Auto Shift. Com o Free Shift, a bike troca de marcha mesmo quando você não está pedalando, casando a cadência com a velocidade da bicicleta. Assim, não existe o risco de você estar em uma marcha muito leve ou pesada ao parar de pedalar em uma descida, por exemplo.
Já com o Auto Shift, as trocas acontecem de forma totalmente automática, mesmo enquanto você pedala, com o grupo tentando manter a bike em uma cadência pré-selecionada. Incrivelmente, tudo isso funciona muito bem — é realmente possível pedalar sem sequer tocar no trocador, mesmo em um circuito de XCO com subidas e descidas abruptas e inclinadas.
Anteriormente, a tecnologia de trocas automáticas estava disponível apenas em grupos eletrônicos de 11 velocidades para e-bikes, devido à maior resistência dos cassetes Linkglide. Agora, porém, quem pretende usar sistemas de 12 velocidades em bikes elétricas também pode optar pelas trocas automáticas, já que a Shimano integrou um sistema que reduz o torque do motor no momento da troca — mais uma prova de que, ao menos no novo XTR, a gigante japonesa não está dormindo no ponto.
VÍDEO
Para mais informações acesse o site da Shimano














