Tour de France 2025: segunda semana terá cronoescalada e Tourmalet

Segundo contrarrelógio do Tour 2025 terá 10,9km até Peyragudes

Bikemagazine
15 de julho de 2025

Pelotão do Tour de France 2025

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação/ASO

A segunda semana do Tour de France 2025, de 16 a 20 de julho, terá entre seus desafios uma cronoescalada na sexta-feira (etapa 13) e duas etapas de altas montanhas, na quinta-feira (etapa 12) e no sábado (etapa 14), com a etapa rainha desta edição, com o lendário Col du Tourmalet, a 2.115 metros de altitude, no meio do trajeto.

O percurso da etapa foi inspirado na etapa da edição de 1986, que também ocorreu no 14º dia da prova. A subida para o Tourmalet via Luz-Saint-Sauveur (19 km a 7,4%) é a menos percorrida do Tour, assim como o percurso para o Col d’Aspin via Payolle (5 km a 7,6%). No entanto, esta etapa é essencialmente dedicada ao reencontro da corrida com a subida ultra exigente para Superbagnères (12,4 km, 7,5%, a 1.804 metros de altitude), que provavelmente vai receber uma disputa acirrada.

Col du Tourmalet com a escultura de Jean-Bernard Métais

O Col du Tourmalet foi escalado pelo Tour de France pela primeira vez em julho de 1910 e passou a fazer parte de sua história e se tornou uma grande referência. Muitos dizem, vale destacar, que o Tour de France só se tornou o que é por causa do Tourmalet. A subida marcou a estreia do pelotão da prova acima dos 2 mil metros de altitude e as duas subidas para o Tourmalet já foram utilizadas 90 vezes pelo Tour (a mais recente em 2024), mais do que qualquer outra montanha na história da competição.

Mas para o Tourmalet entrar para o percurso do Tour foi preciso coragem. Antes de 1910, o Tourmalet era apenas um caminho entre dois dos picos mais altos dos Pirineus e a trilha era usada apenas por pastores que viviam entre os vales. O jornalista esportivo Alphonse Steines, de Luxemburgo, grande colaborador do criador do Tour, Henri Desgrange, foi o primeiro a sonhar com sua inclusão no percurso da prova.

A ideia de Steines não foi bem recebida e quando os moradores locais entenderam o que ele estava planejando o jornalista chegou a ser motivo de piada. Eles estavam acostumados a estranhos que vinham para as montanhas de carro e que fracassavam ao tentar atravessar o caminho. Destemido, Steines apresentou-se ao superintendente de estradas da região, um homem chamado Blanchet, que também riu na cara dele. Era impossível. Talvez algumas das estradas ao longo dos desfiladeiros pudessem levar um ou outro carro, mas uma comitiva inteira de veículos de apoio e 250 homens em bicicletas? Impossível. Não só as estradas eram íngremes, elas também estavam em péssimas condições.

Steines, então, disse a ele que nada poderia ser feito sobre a inclinação da montanha, mas algo poderia ser feito sobre as condições da estrada. Ele prometeu ajuda financeira e Blanchet avaliou que seria preciso 5 mil francos. Steines comunicou a proposta a Desgrange, que ofereceu 3 mil francos. Blanchet aceitou.

Steines é lembrado em placa na subida ao Tourmalet

Mas, antes de ir embora, Steines queria atravessar a passagem de carro e contratou um guia para o levar. Perto do topo, com muita neve, teve de desistir da ideia, mas resolveu continuar a pé, mesmo depois que o guia se recusou. O jornalista foi sozinho, e a certa altura caiu e perdeu-se, mas teve sorte de ser encontrado por uma equipe de resgate às 3h da madrugada. “Eu estava perdido e sozinho na escuridão. Eu não queria morrer em uma montanha hostil e desconhecida”, relatou na época.

Depois de descer a montanha e se recuperar, na manhã seguinte Steines enviou um telegrama a Desgrange, em Paris, que ficou famoso, onde se lia: “Atravessei o Tourmalet. Muito boa estrada. Perfeitamente passável. Assinado Steines”.

SEGUNDA SEMANA DO TOUR
ETAPA A ETAPA

Etapa com largada e chegada em Toulouse abre segunda semana

Após um merecido descanso depois de dez etapas intensas, o pelotão retorna nesta quarta-feira (16 de julho) na etapa 11, com 156,8km e largada e chegada em Toulouse, onde espera-se mais uma chegada para velocistas, com os Pireneus já no horizonte.

Etapa 12 tem chegada em Hautacam, subida já usada no Tour em seis edições

Na quinta-feira (17 de julho), a etapa 12 será entre Auch e Hautacam , com 180,6km de percurso. Hautacam é uma subida que foi usada seis vezes no Tour de France – a mais famosa em 1996, quando Bjarne Riis disparou para vencer com a camisa amarela.

Em 2022, Jonas Vingegaard e Tadej Pogačar se enfrentaram no Hautacam, com o dinamarquês derrubando seu adversário no caminho para sua primeira vitória no Tour. A subida de 13,6km tem uma inclinação média de 7,8%. Em 2025, é precedida por 100 km de estradas planas no vale.

Cronoescalada na etapa 13

Na sexta-feira (18 de julho), a etapa 13 recebe o segundo contrarrelógio do Tour 2025, com 10,9km entre Loudenvielle e Peyragudes. Uma das etapas mais esperadas, a cronoescalada até Peyragudes, na estação de esqui abaixo do Col de Peyresourde, tem oito quilômetros de subida.

A etapa 14 do Tour será a etapa rainha

No sábado (19 de julho), a 14ª etapa será uma das mais desafiadores do Tour 2025, com 183km e 4.950 metros de escalada. A etapa rainha começa em Pau e sobe o Col du Tourmalet, o Col d’Aspin, o Col de Peyresourde antes de concluir com uma subida até a estação de esqui Luchon-Superbagnères.

A subida de Superbagnères não é usada desde 1989, mas novas pontes e um novo teleférico tornarão a logística muito mais fácil para a enorme caravana do Tour.

Etapa com subidas antes da chegada na cidade medieval de Carcassone

No domingo (20 de julho), a etapa 15 encerra a segunda semana com 169,3km entre Muret e Carcassonne. A estrada para Carcassonne costuma favorecer os velocistas, mas 2.400 metros de ganho vertical em menos de 170 quilômetros podem encorajar os especialistas em fuga. A subida ao Côte de Saint-Ferréol, na saída de Revel, e depois o Pas du Sant (2,9 km a 10%) podem ser a oportunidade perfeita para eliminar seus rivais. Depois disso, há 40 quilômetros de descida suave até a cidade medieval.

AS ETAPAS
Etapa 1 – 5 de julho – Lille – Lille 184,9km
Etapa 2 – 6 de julho – Lauwin-Planque – Boulogne-sur-Mer 209,1km
Etapa 3 – 7 de julho – Valenciennes – Dunkerque 178,3km
Etapa 4 – 8 de julho – Amiens – Rouen 174,2km
Etapa 5 – 9 de julho – Caen – Caen ITT 33km
Etapa 6 – 10 de julho – Bayeux – Vire Normandie 201,5km
Etapa 7 – 11 de julho – Saint-Malo – Mûr-de-Bretagne 197km
Etapa 8 – 12 de julho – Saint-Méen Le-Grand – Laval 171,4km
Etapa 9 – 13 de julho – Chinon – Châteauroux 174,1km
Etapa 10 – 14 de julho – Ennezat – Le Mont-Dore 165,3km

Dia de descanso – 15 de julho

Etapa 11 – 16 de julho – Toulouse – Toulouse 156,8km
Etapa 12 – 17 de julho – Auch – Hautacam 18o,6km
Etapa 13 – 18 de julho – Loudenvielle – Peyragudes ITT 10,9km
Etapa 14 – 19 de julho – Pau – Luchons-Superbagnéres 182,6km
Etapa 15 – 20 de julho – Muret – Carcassonne 169,3km

Dia de descanso – 21 de julho

Etapa 16 – 22 de julho – Montpellier – Mont Ventoux 171,5km
Etapa 17 – 23 de julho – Bollène – Valence 160,4km
Etapa 18 – 24 de julho – Vif – Courchevel Col de la Loze 171,5km
Etapa 19 – 25 de julho – Albertville – La Plagne 129,9km
Etapa 20 – 26 de julho – Nantua – Pontarlier 184,2km
Etapa 21 – 27 de julho – Mantes-la-Ville – Paris 132,3km

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