Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Guilherme Haruo
De uma necessidade real à criação de uma referência em tecnologia para bicicletas. Foi assim que nasceu a BYB Telemetria, startup italiana idealizada pelo engenheiro Enrico Rodella, ciclista apaixonado por desempenho e tecnologia, que decidiu transformar a frustração com os métodos empíricos de ajuste de suspensão em uma solução baseada em dados concretos.
“A ideia da BYB surgiu diretamente do campo. Como ciclista e engenheiro, percebi que as ferramentas disponíveis para entender o comportamento da bike e acertar a suspensão eram muito limitadas. Quis trazer para o mountain bike o nível de análise que vemos no automobilismo”, conta o fundador.
O ponto de partida foi a criação de protótipos simples, com sensores básicos e microcontroladores, testados nas trilhas italianas. Foram muitas idas e vindas até alcançar um sistema completo de aquisição de dados, com hardware, software e aplicativo integrados, capazes de fornecer insights reais sobre o comportamento da bicicleta em ação.
Financiamento coletivo
Para transformar o projeto em realidade, Rodella recorreu ao financiamento coletivo. Em 2018 e 2019, lançou uma campanha no Kickstarter que se tornaria decisiva para o futuro da BYB. A meta inicial de 25 mil euros foi superada, alcançando quase 35 mil euros arrecadados, com apoio de ciclistas do mundo todo.
“A campanha foi um divisor de águas. Estávamos nervosos, claro, porque é sempre arriscado colocar sua visão no mundo. Mas a resposta da comunidade foi incrível”, relembra.
Desde então, a tecnologia não parou de evoluir. A BYB segue atualizando seus sensores, software e plataforma de análise, com o objetivo de ampliar ainda mais a acessibilidade ao sistema. “Estamos desenvolvendo equipamentos mais leves, integrados e intuitivos, voltados tanto para profissionais quanto para ciclistas do dia a dia”, afirma.
Chegada ao Brasil
Desde o início, a proposta da BYB foi atuar globalmente. No Brasil, a Corsa Bike Parts é responsável pela importação dos equipamentos, enquanto a Escola Park Tool é a única instituição autorizada a ministrar os cursos de formação de analistas de telemetria no país.
“O Brasil representa uma oportunidade empolgante. A comunidade ciclista é apaixonada e aberta à inovação. Queremos trabalhar de perto com os ciclistas locais para adaptar a tecnologia às suas necessidades”, analisa Rodella.
O futuro da telemetria no MTB
Com a evolução das bicicletas e a profissionalização do MTB, a tendência é que os dados se tornem parte essencial do ajuste fino de equipamentos e da estratégia de desempenho — algo já comum no automobilismo.
“A telemetria será padrão no ciclismo de alto nível. À medida que as bikes ficam mais avançadas e os atletas buscam cada detalhe de performance, os dados terão papel central no treinamento, na segurança e no desempenho”, diz.
Rodella também acredita que o uso da tecnologia deve se expandir para além do downhill, chegando ao enduro, cross country e e-bikes. “Queremos tornar a telemetria mais acessível, ajudando também os amadores a tomarem decisões mais informadas sobre a bike e seu estilo de pedalada.”
A BYB segue firme na missão de democratizar o uso de dados no ciclismo, formando profissionais capacitados e oferecendo ferramentas que podem se transformar em diferencial para bike shops e serviços especializados.






