Tour de France 2025: Pogacar, Evenepoel e Roglic falam antes da largada

Apresentação das equipes movimenta Lille, que recebe a largada no sábado

Marcos
3 de julho de 2025

Lille recebe a apresentação das equipes

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação ASO Aurélien Vialatte

Os 184 ciclistas que vão disputar a 112ª edição do Tour de France, que começa neste sábado, participaram da apresentação das equipes em Lille, no norte da França, que vai receber as três primeiras etapas. Nesta edição do Tour, 12 das 23 equipes vão estrear novos uniformes, todos devidamente mostrados nesta quinta-feira.

Em meio a previsões e apostas, as atenções estão voltadas para o esloveno Tadej Pogacar e para o dinamarquês Jonas Vingegaard, que dominaram as últimas cinco edições e se revezam nas duas primeiras posições desde 2021. No duelo direto, Pogacar lidera por 3 a 2, e a rivalidade promete mais um capítulo acirrado.

Enquanto o dinamarquês da Visma-Lease a Bike concede entrevista nesta sexta-feira, o atual campeão mundial Tadej Pogacar falou à imprensa, assim como o belga Remco Evenepoel, dono da camisa branca de 2024, e o veterano Primoz Roglic.

Quem também entra na briga é o dinamarquês Mattias Skjelmose, que mira a cobiçada camisa de bolinhas (a polka dot de líder de montanhas), em comemoração aos 50 anos da classificação de montanha.

Pogacar: “É fácil perder o Tour antes do primeiro dia de descanso”
Atual campeão e principal favorito ao título, Tadej Pogacar chega confiante após uma temporada impecável. Vencedor surpresa em 2020, consagrado em 2021 e soberano no retorno ao topo no ano passado, o esloveno mostra naturalidade ao assumir o protagonismo:

“Foi uma grande temporada até aqui, perfeita, e chegar ao Tour como um dos favoritos é uma honra. Espero corresponder às expectativas. Como sempre, a primeira semana é uma das mais intensas. É fácil perder o Tour antes mesmo do primeiro dia de descanso. Mas também vejo como uma oportunidade, com chegadas duras, finais técnicos, poucas etapas planas e uma crono. E teremos várias chegadas em alto. A última semana nos Alpes será, na minha opinião, a mais difícil.”

Tadej Pogacar vai em busca do seu quarto título – ©A.S.O. / Charly Lopez

Conhecedor profundo dos seus rivais, Pogacar identifica em Jonas Vingegaard o principal adversário:

“Os últimos cinco anos foram intensos entre eu e Jonas, e também com outros competidores. É uma rivalidade incrível e este ano será mais ou menos o mesmo. Vai ser interessante ver se repetimos o duelo. Mas sempre surgem novos nomes. Estou ansioso para enfrentar o Jonas novamente, acredito que ele está em ótima forma, e também para competir contra os outros em todos os terrenos. Vai ser um grande mês para quem estiver assistindo pela TV.”

O belga Remco Evenepoel

Remco Evenepoel: “Vou tentar complicar a vida do Tadej e do Jonas”
Terceiro colocado na classificação geral e campeão da camisa branca de melhor jovem em sua estreia no ano passado, Remco Evenepoel retorna ao Tour com ambição, mas consciente do tamanho do desafio:

“Meu objetivo é vencer as três Grandes Voltas na carreira. Já conquistei uma, faltam duas. Terminei em terceiro no ano passado, então sei que tenho capacidade, mas Tadej e Jonas são os grandes favoritos mais uma vez. Vou tentar dificultar as coisas para eles, mas é difícil dizer exatamente em que nível estou comparado a eles.”

Sobre a rota de 2025, o belga destaca as dificuldades: “As etapas nos Pirineus e Alpes são muito duras, com bastante altimetria, e isso pesa no final da semana. O Col de la Loze, com seus 27km de subida, será muito doloroso. Mas as outras etapas também podem ser difíceis, dependendo de como forem disputadas.”

Ao comentar sua preparação, especialmente após ser superado por Pogacar, Vingegaard e Lipowitz no Critérium du Dauphiné, Remco explica:

“Desenvolver o desempenho em montanha não acontece em dez dias, é algo que leva meses ou até anos, especialmente para quem não é escalador nato. Trabalho nisso o tempo todo e fiquei satisfeito com minha performance no campeonato belga. Espero que isso me ajude a estar entre os primeiros na classificação final.”

O esloveno Primoz Roglic com o uniforme da equipe para o Tour de France

Primoz Roglic: “Luto e trabalho para ser o melhor”
Na sua sétima participação no Tour de France, o esloveno Primoz Roglic busca o título que falta em sua galeria, que já inclui quatro Vueltas (2019, 2020, 2021, 2024) e um Giro (2023). Antes, precisa exorcizar o fantasma das quedas, que o obrigaram a abandonar as últimas três edições do Tour. Desde 2019, o esloveno disputou 13 Grandes Voltas – terminou oito vezes no pódio e abandonou cinco.

“Para competir no Tour, você primeiro precisa sobreviver – e sou um bom exemplo disso nos últimos anos”, reconhece. “O que importa é como você lida com isso. Estou com 36 anos, ainda tenho assuntos pendentes com o Tour, mas, ganhando ou não, isso não muda quem eu sou. É um privilégio estar aqui, competindo com os mais jovens. Não preciso apontar ninguém – Tadej, Jonas, Remco…”

Com espírito competitivo inabalável, Roglic completa:
“Sendo quem sou, sonho, luto e trabalho para ser o melhor.” E aproveita para elogiar o companheiro Florian Lipowitz, 3º no Critérium du Dauphiné: “Ele está muito forte e já mostrou seu alto nível. Por que não repetir isso aqui no Tour de France?”

Luta pelo título de montanha

Mattias Skjelmose: “Fica difícil se Jonas ou Tadej vencerem no Col de Loze”
No ano em que completa 50 edições, a briga pela camisa de bolinhas será intensa, com 67 montanhas pontuáveis: 9 de categoria HC, 4 de cat. 1, 12 de cat. 2, 16 de cat. 3 e 26 de cat. 4, somando um total de até 358 pontos, da largada em Lille até a chegada em Paris. Entre os destaques do percurso estão o Col de la Loze (ponto mais alto do Tour, com 2.304m) e a Côte de la Butte Montmartre, subida final do Tour, com 128m de altitude.

Como de costume, os caçadores de etapas tentarão superar os homens da geral, repetindo o feito de Richard Carapaz, campeão da camisa de bolinhas em 2024. O equatoriano, no entanto, foi forçado a desistir da defesa do título por motivo de saúde, às vésperas da largada.

Com isso, quatro ex-campeões estarão na disputa: Tadej Pogacar (2020, 2021), Jonas Vingegaard (2022), Julian Alaphilippe (2018) e Warren Barguil (2017).

Mattias Skjelmose, da Lidl-Trek, quer seguir o caminho dos vencedores:
“Não quero lutar por um top-15 na geral. Prefiro buscar uma vitória de etapa e talvez a camisa de bolinhas. Tive a chance de ajudar Giulio Ciccone a vencê-la em 2023, e foi especial vê-lo no pódio em Paris. Ele ficou bem demais com aquela camisa, vamos ver se o mesmo acontece comigo!”

O dinamarquês completa: “Na primeira semana são poucos pontos em jogo [34 nas 9 primeiras etapas], depois vêm as grandes montanhas. Os pontos dobram no Col de la Loze [40 pontos na chegada da etapa 18], e imagino Jonas ou Tadej vencendo essa etapa… Isso dificultaria bastante, mas vamos ver no que dá.”

A rota do Tour 2025

A 112ª edição do Tour de France, de 5 a 27 de julho de 2025, é a primeira disputada inteiramente em território francês em cinco anos. A competição começa em Lille e terá três etapas iniciais no norte da França. O percurso total, de 3.320 quilômetros, conta com uma tripla sequência de chegadas ao alto nos Pireneus, a escalada ao Mont Ventoux e duas etapas finais nos altos dos Alpes até Courchevel e La Plagne, e um total de 51.550 metros de elevação total. O Col de la Loze (2.304m) será o ponto mais alto.

A rota de 2025 também inclui duas etapas de contrarrelógio, a primeira na primeira semana, na etapa 5, com 33km, em Caen, na Normandia, e a segunda na cronoescalada ao Col de Peyresourde, com 10,9km, na etapa 13.

AS ETAPAS
Etapa 1 – 5 de julho – Lille – Lille 184,9km
Etapa 2 – 6 de julho – Lauwin-Planque – Boulogne-sur-Mer 209,1km
Etapa 3 – 7 de julho – Valenciennes – Dunkerque 178,3km
Etapa 4 – 8 de julho – Amiens – Rouen 174,2km
Etapa 5 – 9 de julho – Caen – Caen ITT 33km
Etapa 6 – 10 de julho – Bayeux – Vire Normandie 201,5km
Etapa 7 – 11 de julho – Saint-Malo – Mûr-de-Bretagne 197km
Etapa 8 – 12 de julho – Saint-Méen Le-Grand – Laval 171,4km
Etapa 9 – 13 de julho – Chinon – Châteauroux 174,1km
Etapa 10 – 14 de julho – Ennezat – Le Mont-Dore 165,3km

Dia de descanso – 15 de julho

Etapa 11 – 16 de julho – Toulouse – Toulouse 156,8km
Etapa 12 – 17 de julho – Auch – Hautacam 18o,6km
Etapa 13 – 18 de julho – Loudenvielle – Peyragudes ITT 10,9km
Etapa 14 – 19 de julho – Pau – Luchons-Superbagnéres 182,6km
Etapa 15 – 20 de julho – Muret – Carcassonne 169,3km

Dia de descanso – 21 de julho

Etapa 16 – 22 de julho – Montpellier – Mont Ventoux 171,5km
Etapa 17 – 23 de julho – Bollène – Valence 160,4km
Etapa 18 – 24 de julho – Vif – Courchevel Col de la Loze 171,5km
Etapa 19 – 25 de julho – Albertville – La Plagne 129,9km
Etapa 20 – 26 de julho – Nantua – Pontarlier 184,2km
Etapa 21 – 27 de julho – Mantes-la-Ville – Paris 132,3km

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