A incrível bike chinesa que surpreendeu e levou britânico ao ouro no Mundial Júnior

Peso de 6,83 kg e preço competitivo mostram que a China já disputa o mercado com as grandes marcas tradicionais

Marcos
26 de dezembro de 2025

A Quick Pro AR:One usada pelo britânico Harry Hudson na conquista do Mundial Júnior 2025 em Ruanda

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação

Os chineses estão chegando ao topo do ciclismo mundial. Muitos fãs do ciclismo podem não ter notado, mas o jovem britânico de 18 anos Harry Hudson conquistou o título mundial na prova de estrada da categoria Júnior com uma bicicleta montada em um frameset Quick Pro, marca chinesa ainda pouco conhecida no mercado ocidental.

A pintura leva o nome carnavalesco de Harlequin e, intencionalmente ou não, chamou bastante a atenção no evento. Hudson deverá deixar a atual equipe britânica Harrogate Nova Race Team e integrar a equipe continental Lidl–Trek Future Racing.

O modelo AR:One da Quick Pro impressiona pelo preço, bem inferior às marcas de grife europeias ou norte-americanas. O quadro é vendido na internet por pouco menos de 1.500 libras, cerca de R$ 10.600 na cotação do dia 1º de dezembro de 2025, e pode ser encontrado no marketplace chinês PandaPodium.cc.

Não é novidade que as bikes Made in China dominam o mercado há anos, mas marcas chinesas propriamente ditas ainda são raras no pelotão profissional. Exceção feita à X-Lab, que se tornou a primeira marca chinesa a equipar uma equipe WorldTour ao fornecer bicicletas para o time Astana desde o início da temporada 2025 (veja notícia). A X-Lab pertence à empresa chinesa XDS Carbon Tech, com sede em Shenzhen.

O quadro da Quick Pro AR:One é do tipo monocoque (peça única, sem junções) e feito com fibras de carbono Toray T1100 e M65, e pesa apenas 685 gramas para o tamanho XS, sem pintura. No acabamento preto fosco, um quadro tamanho M pesa a partir de 762 gramas, já com parafusos de titânio e gancheiras instaladas.

A bike usada por Hudson no Mundial em Ruanda pesa 6,83kg aferidos, número bem próximo ao limite mínimo da UCI, que é de 6,8kg. Montagens bem mais leves no mesmo quadro são possíveis com outros componentes, e uma bike com o mesmo quadro que Hudson usou no Mundial pode chegar a 5,9kg, mesmo equipada com pedais com medidor de potência, suportes de caramanhola e de GPS, rodas ultraleves de perfil baixo para escaladas e pneus tubeless já com selante.

Hudson comemora a vitória no Mundial Júnior em Ruanda – Foto de Swpixcom

Segundo Joe Whittingham, CEO do PandaPodium.cc, uma bike montada com especificações semelhantes à usada por Hudson no Mundial custa entre US$ 6 mil e US$ 7 mil (R$ 32 mil a R$ 37,5 mil), valor bem razoável para uma bicicleta leve e competitiva usada em um evento de altíssimo nível, onde bikes superam os US$ 30 mil com facilidade.

A Quick Pro AR:One usa movimento central de rosca BSA e comporta pneus de até 32 mm. Mas o verdadeiro diferencial é a geometria racing, bem agressiva e voltada para o alto desempenho. O quadro no tamanho médio tem stack de 534,6 mm e reach de 386,7 mm, que resulta em uma relação stack/reach de 1,38 — bastante agressiva.

O head tube tem 130 mm no tamanho M e 160 mm no tamanho XL, o que deixa o ciclista em uma posição bem aerodinâmica. O quadro vem com canote com offset de 20 mm; opcionalmente, há opção de zero offset por US$ 99, usada na bike de Hudson.

Na conquista do título, Hudson usou rodas chinesas Craft Racing Works (CRW) CS5060, com raios de carbono, aro de 50 mm na frente e 60 mm atrás, com peso declarado pelo fabricante de apenas 1.280 gramas e preço de US$ 1.700, com rolamentos de cerâmica. Outro importante componente chinês usado pelo britânico é o pedivela. Hudson optou por um pedivela de carbono da marca Cybrei, com braços de 165 mm e coroas 54×38. A marca também fornece os suportes de caramanhola em carbono.

Marcas como a X-Lab e a Quick Pro já estão no mais alto escalão do ciclismo mundial e outras devem chegar em muito breve. Além de framesets, existem muitos outros componentes de excelente qualidade e bom preço, como rodas, pedivelas, grupos mecânicos e eletrônicos sem fio, canotes, guidões integrados, eixos passantes, medidores de potência, grupos convencionais e eletrônicos sem fio, selins e por aí vai.

Além da qualidade, a logística tem sido uma preocupação constante dos fabricantes chineses, e a criação de centros de distribuição logística no Velho Continente encurtou o tempo de entrega de produtos entre a China continental e a Europa de 30 para 5 dias.

Marcas de quadros bicicletas completas como Elves, Winspace, Evolve, Yoleo, Tavelo, Voicevelo, Incolor e Bigrock podem soar estranhas aos ouvidos acostumados a nomes como Pinarello, Colnago, Wilier, Trek, Specialized, mas nos próximos anos as chinesas devem se tornar uma realidade no pelotão WorldTour — e não deve demorar até que um ciclista conquiste um pódio ou título em uma das grandes voltas.

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