Do Bikemagazine
Fotos de divulgação
Os chineses estão chegando ao topo do ciclismo mundial. Muitos fãs do ciclismo podem não ter notado, mas o jovem britânico de 18 anos Harry Hudson conquistou o título mundial na prova de estrada da categoria Júnior com uma bicicleta montada em um frameset Quick Pro, marca chinesa ainda pouco conhecida no mercado ocidental.
A pintura leva o nome carnavalesco de Harlequin e, intencionalmente ou não, chamou bastante a atenção no evento. Hudson deverá deixar a atual equipe britânica Harrogate Nova Race Team e integrar a equipe continental Lidl–Trek Future Racing.
O modelo AR:One da Quick Pro impressiona pelo preço, bem inferior às marcas de grife europeias ou norte-americanas. O quadro é vendido na internet por pouco menos de 1.500 libras, cerca de R$ 10.600 na cotação do dia 1º de dezembro de 2025, e pode ser encontrado no marketplace chinês PandaPodium.cc.
Não é novidade que as bikes Made in China dominam o mercado há anos, mas marcas chinesas propriamente ditas ainda são raras no pelotão profissional. Exceção feita à X-Lab, que se tornou a primeira marca chinesa a equipar uma equipe WorldTour ao fornecer bicicletas para o time Astana desde o início da temporada 2025 (veja notícia). A X-Lab pertence à empresa chinesa XDS Carbon Tech, com sede em Shenzhen.
O quadro da Quick Pro AR:One é do tipo monocoque (peça única, sem junções) e feito com fibras de carbono Toray T1100 e M65, e pesa apenas 685 gramas para o tamanho XS, sem pintura. No acabamento preto fosco, um quadro tamanho M pesa a partir de 762 gramas, já com parafusos de titânio e gancheiras instaladas.
A bike usada por Hudson no Mundial em Ruanda pesa 6,83kg aferidos, número bem próximo ao limite mínimo da UCI, que é de 6,8kg. Montagens bem mais leves no mesmo quadro são possíveis com outros componentes, e uma bike com o mesmo quadro que Hudson usou no Mundial pode chegar a 5,9kg, mesmo equipada com pedais com medidor de potência, suportes de caramanhola e de GPS, rodas ultraleves de perfil baixo para escaladas e pneus tubeless já com selante.
Segundo Joe Whittingham, CEO do PandaPodium.cc, uma bike montada com especificações semelhantes à usada por Hudson no Mundial custa entre US$ 6 mil e US$ 7 mil (R$ 32 mil a R$ 37,5 mil), valor bem razoável para uma bicicleta leve e competitiva usada em um evento de altíssimo nível, onde bikes superam os US$ 30 mil com facilidade.
A Quick Pro AR:One usa movimento central de rosca BSA e comporta pneus de até 32 mm. Mas o verdadeiro diferencial é a geometria racing, bem agressiva e voltada para o alto desempenho. O quadro no tamanho médio tem stack de 534,6 mm e reach de 386,7 mm, que resulta em uma relação stack/reach de 1,38 — bastante agressiva.
O head tube tem 130 mm no tamanho M e 160 mm no tamanho XL, o que deixa o ciclista em uma posição bem aerodinâmica. O quadro vem com canote com offset de 20 mm; opcionalmente, há opção de zero offset por US$ 99, usada na bike de Hudson.
Na conquista do título, Hudson usou rodas chinesas Craft Racing Works (CRW) CS5060, com raios de carbono, aro de 50 mm na frente e 60 mm atrás, com peso declarado pelo fabricante de apenas 1.280 gramas e preço de US$ 1.700, com rolamentos de cerâmica. Outro importante componente chinês usado pelo britânico é o pedivela. Hudson optou por um pedivela de carbono da marca Cybrei, com braços de 165 mm e coroas 54×38. A marca também fornece os suportes de caramanhola em carbono.
Marcas como a X-Lab e a Quick Pro já estão no mais alto escalão do ciclismo mundial e outras devem chegar em muito breve. Além de framesets, existem muitos outros componentes de excelente qualidade e bom preço, como rodas, pedivelas, grupos mecânicos e eletrônicos sem fio, canotes, guidões integrados, eixos passantes, medidores de potência, grupos convencionais e eletrônicos sem fio, selins e por aí vai.
Além da qualidade, a logística tem sido uma preocupação constante dos fabricantes chineses, e a criação de centros de distribuição logística no Velho Continente encurtou o tempo de entrega de produtos entre a China continental e a Europa de 30 para 5 dias.
Marcas de quadros bicicletas completas como Elves, Winspace, Evolve, Yoleo, Tavelo, Voicevelo, Incolor e Bigrock podem soar estranhas aos ouvidos acostumados a nomes como Pinarello, Colnago, Wilier, Trek, Specialized, mas nos próximos anos as chinesas devem se tornar uma realidade no pelotão WorldTour — e não deve demorar até que um ciclista conquiste um pódio ou título em uma das grandes voltas.







