Texto e fotos de Marcos Adami
Em 2024 contei como Joseilton Gomes foi o mais rápido no Desafio Lorotas, evento organizado pelo pessoal do perfil do Instagram. Este ano acompanhei de perto Joseilton no Desafio Lorotas Alto da Serra, no duro percurso de 136 km, com respeitáveis 3.900 metros de ascensão acumulada. Em sua quinta edição, o roteiro de 2026 começava na Padoca do Vila, no Distrito de Joaquim Egídio, em Campinas (SP), e culminava no mirante Alto da Serra, em Serra Negra.
Uma foto no mirante era obrigatória. Era permitido começar em qualquer ponto do percurso e terminar onde começou. A rota é cerca de 75% em estradas de terra e gravel e deveria ser percorrida no sentido anti-horário, e a atividade ser rigorosamente registrada no Strava. A categoria gravel foi novidade este ano e Caio Godoy, dono de três títulos nacionais de ciclismo, venceu com o tempo de 5h39min36s.
Este ano foi o mais duro das cinco edições e o período foi do dia 30 de agosto até 30 de novembro. Cada ciclista faz quando quer, a hora que quer, em grupo ou acompanhado. Os arquivos GPX do Strava podem ser baixados e cada um faz sua navegação. Na edição 2025, 211 ciclistas concluíram e 29 ficaram pelo caminho.
Mapa com a atividade de Joseilton no dia 22 de novembro – Percurso tem 136km com 3.900 metros de ascensãoDeterminado a vencer novamente, Joseilton fez três pedaladas de reconhecimento e escolheu o sábado, 22 de novembro, como o grande dia. Me ofereci para fazer fotos e vídeos e, muito antes do sol nascer, já estava na Padoca. O amigo motociclista de Joseilton que faria o apoio logístico deu mancada e o meu VW 1.300 virou carro de apoio e de salvação. “Será que este carrinho sobe o Alto da Serra? Será que sobe o Pixoxó, com aquela parede de 30,5% de inclinação, com pedras soltas?”.
Pouco depois das 5h30, Joseilton largou na busca pelo melhor tempo. Eu conhecia apenas parte do caminho e precisaria do ciclista para me mostrar o caminho. Nas descidas é impossível acompanhar uma mountain bike, então a estratégia foi ir na frente e esperar nos cruzamentos. As estradas estavam em boas condições, exceto um longo trecho em descida que leva a Monte Alegre do Sul, com erosões e grandes pedras soltas. Baixar bem a calibragem dos pneus do Fusca foi fundamental. Nesses trechos, Joseilton segurou a velocidade para não perdê-lo de vista, sob pena de perder tempo precioso no desafio. Em uma longa descida, a corrente caiu e ele perdeu alguns segundos, na única ocorrência mecânica da atividade.
A temida parede de 30% do segmento Pixoxó chegou e superamos sem problemas. Joseilton mantinha o ritmo forte e cabia a mim lembrá-lo de comer e beber para manter a energia. Na longa subida de 9,8 km até o Bairro dos Godói, de onde dava para ver as torres de comunicação do Alto da Serra, adiantei e esperei no pé do Alto da Serra com jujubas na mão. Acelerei até o mirante e fiquei pronto para a foto obrigatória com água fresquinha na caramanhola. Em menos de 15 segundos Joseilton estava de novo no selim e despencou para o centro de Serra Negra. Pelo telefone, ofegante, me orientou e logo o alcancei no asfalto, na volta para Monte Alegre do Sul.
O calor e o sol já incomodavam, mas Joseilton seguia firme nos longos trechos de asfalto, com rampas dignas dos Pirineus. Esperei nas bifurcações, preparei isotônico, troquei as caramanholas e fiz o abastecimento em movimento. Faltavam ainda 40 km e o sol não dava trégua.
Fiz uma última foto faltando 20 km e adiantei até a Padoca para registrar o momento da chegada. O sinal de celular é fraco por ali e Joseilton tardou até acessar o Strava e parar a atividade, que cravou 5h54min01s, com velocidade média de 23,1 km/h, e estabeleceu o melhor tempo do desafio até ali, incluindo três KOMs, um deles da totalidade do trajeto.
No dia 30, Ricardo Dé iniciou o percurso na cidade de Pedreira (SP), foi 24 segundos mais rápido que Joseilton e foi aclamado vencedor do Desafio Alto da Serra na categoria Mountain Bike.
Joseilton explicou, contestou, protestou, mas não teve jeito, o Supremo Tribunal da Lorota confirmou por unanimidade a vitória de Dé. A regra é bem clara no enunciado do Lorotas: vale o tempo total da atividade e não são aceitas edições posteriores ao dia da publicação da atividade.
Em mensagem, Joseilton lamentou a decisão do colegiado e tascou: “Talvez eu nem faça mais este desafio”. Mas quem conhece o simpático paraibano sabe que, no fundo, ele já deve estar pensando no Desafio Lorotas do ano que vem e vai preparado para não deixar a vitória escapar por conta de um sinal fraco de 3G. Afinal, como diz o perfil do Instagram: não é uma prova, é apenas um desafio.











