Do Bikemagazine
Foto de divulgação ASO
A União Ciclística Internacional (UCI) confirmou que os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, terão o mesmo número de vagas para ciclistas mulheres e homens em todas as disciplinas do ciclismo. Serão 257 lugares por gênero, somando estrada, pista, MTB, BMX Racing e BMX Freestyle, o que mantém o esporte como um dos maiores do programa olímpico, com 22 medalhas de ouro em disputa.
A decisão dá continuidade à paridade que começou nos Jogos de Paris 2024. Antes disso, no ciclo de Tóquio 2020, a realidade era bem diferente: enquanto MTB e BMX já recebiam números iguais de atletas, as provas de estrada ofereciam quase o dobro de largadas para os homens (130 contra 67 das mulheres). Na pista, a equiparação só foi alcançada em Paris, com a inclusão de sete vagas femininas adicionais.
Mais visibilidade no ciclismo feminino
A confirmação da igualdade de vagas em Los Angeles reforça uma tendência já percebida há alguns anos: o crescimento da visibilidade e da competitividade no ciclismo feminino.
Um relatório divulgado pela Zwift, às vésperas do Tour de France Femmes 2025, aponta para um cenário “de era dourada do ciclismo feminino”, destacando a evolução desde a retomada da corrida em 2022. A edição de 2025 foi transmitida para 190 países, com audiência estimada em 120 milhões de espectadores, sendo 26 milhões apenas na França. Já o percurso de 2026 promete ser o mais exigente até agora, com chegada no topo do mítico Mont Ventoux.
Outro fator determinante para essa evolução é a valorização salarial mínima estipulada pela UCI. No Women’s WorldTour, o piso passou de € 15 mil em 2020 para € 31.728 em 2025, enquanto o salário médio em 2024 chegou a € 40 mil, números que vêm atraindo mais atletas ao pelotão internacional.
Melhorias no alto rendimento
Apesar dos avanços, a realidade das equipes de base ainda preocupa. A The Cyclists’ Alliance, entidade que representa mulheres ciclistas profissionais, lembra que boa parte das melhorias está concentrada no alto rendimento.
Uma pesquisa recente mostra que 84% das ciclistas das equipes continentais ganham menos de € 20 mil por ano, e 42% precisam de um segundo emprego para complementar a renda — o que compromete a formação de novas gerações no esporte.
Há, porém, sinais de progresso na igualdade de premiações. Provas como Amstel Gold Race, Tour Down Under e todos os eventos organizados pela Flanders Classics já oferecem prêmios iguais para homens e mulheres, algo que vem se tornando cada vez mais comum.
Desigualdade no Tour de France
O grande ponto fora da curva permanece sendo o Tour de France. Mesmo com a consolidação do Tour de France Femmes avec Zwift, a disparidade financeira é enorme: o prêmio total da prova feminina somou € 259.430, enquanto o Tour masculino distribuiu mais de € 2,5 milhões. Apenas para comparação, o prêmio por vitória geral de Tadej Pogačar equivale a dez vezes o que recebeu Pauline Ferrand-Prévot pelo título feminino.






