Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Factor Racing
O francês Romain Bardet anunciou que vai correr gravel em 2026. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22 de janeiro) pela equipe Factor Racing. Aos 35 anos, o ciclista que integrou o WorldTour durante 15 temporadas e disputou seu último Tour de France em 2024 agora quer pedalar de forma mais livre e longe da pressão do exigente calendário do ciclismo profissional.
Bardet já pedalou bicicletas Factor na época da AG2R La Mondiale, nas temporadas de 2017 e 2018, e traz no palmarés duas vitórias em etapas do Tour de France e o segundo lugar na classificação geral na edição de 2016.
“O resultado de 2016 foi um pouco uma surpresa. Havia em torno de quatro ou cinco ciclistas mais ou menos no mesmo nível, lutando pelo pódio”, explica Romain Bardet. “Em 2016, não esperávamos render em um nível tão alto, e sabíamos que era algo em cima do qual precisaríamos construir. Eu tinha 25 anos e bons companheiros de equipe. A gente sabia que precisaria ter bons materiais se quiséssemos dar um passo adiante e seguir evoluindo.”
Vida exaustiva
Segundo Bardet, ser um atleta profissional, especialmente um ciclista profissional, é muito exigente. Talvez, em décadas passadas, os ciclistas pudessem contar com algumas semanas ou até meses para relaxar, comer comida normal, sair com amigos e, em geral, “zerar” o relógio mental. Isso é cada vez menos verdade. Para ser um ciclista profissional, você precisa estar sempre “ligado”.
É uma vida exaustiva, especialmente para os principais nomes do pelotão, que carregam responsabilidades reais de entregar resultados para suas equipes. “Você não consegue imaginar, quando se é profissional e está tentando competir no nível mais alto, quanta pressão vem junto com isso”, explicou. “Durante o inverno, todo ano, você tem seu plano de treino: em determinado dia, tantas horas em determinada intensidade. Você tem muito estresse, checando a previsão do tempo e imaginando como vai conseguir cumprir a tarefa. Então, é fácil perder o amor pelo ciclismo, porque você perde um pouco da liberdade que vem com simplesmente pedalar.”
Alguns ciclistas têm dificuldade para encontrar formas de contrabalançar essa pressão. Como um dos grandes franceses da classificação geral em sua era, Romain Bardet certamente entende esse peso. E trabalhou de forma sistemática para aliviar isso para si mesmo.
“Eu fui muito comprometido com meus estudos. Estudei direito contratual e depois concluí um mestrado em gestão por correspondência enquanto competia no WorldTour”, contou. “Meus pais queriam que eu tivesse sempre algo ao meu lado fora do ciclismo profissional.”
A opção pelo gravel
Existem muitas opiniões sobre o que realmente é o “espírito do gravel”. Bardet, o gravel enfatiza a conexão humana e reencontra a alegria da bicicleta. “Agora, para o meu tempo depois da carreira no WT, acho que também é sobre os vínculos que você tem com as pessoas”, afirmou.
“Eu tenho este ano, em que posso escolher os patrocinadores, os parceiros — eu diria até mesmo as pessoas com quem quero trabalhar — e isso é um privilégio enorme. Eu nunca tornei público que queria seguir correndo no gravel. Foi só depois da conversa que tive o pessoal da Factor que eu quis pedalar no gravel em 2026. E é essa confiança e lealdade com as pessoas que você encontra pelo caminho que faz as coisas acontecerem.”
Depois de uma década e meia correndo no mais alto nível, muitas vezes carregando o peso das esperanças francesas no Tour sobre os ombros, seria compreensível que Romain Bardet quisesse se afastar completamente do esporte, pelo menos por um tempo. Mas essa não foi sua reação. Para quem lembra como ele corria de forma ousada, como descia sem medo, como parecia amar atacar e vencer “à la pédale”, não é surpresa que ele tenha conseguido se encaixar perfeitamente na onda do gravel. No fim de 2025, ele inclusive conquistou duas vitórias prestigiosas em suas primeiras tentativas. Não foi por glória e sim pelo amor à bike.
“Acho que agora vou criar uma imagem com o gravel, porque não há sensação melhor no mundo do que acordar de manhã e ter um arquivo GPX baixado com um novo caminho para seguir, sair com sua bicicleta para descobrir um lugar novo. Eu gosto muito disso. É só sobre o prazer puro do ciclismo sem todo o estresse.”
Para 2026, Romain irá pedalar toda a linha de bikes da Factor, com foco na plataforma de gravel, que incluirá a Ostro e a Aluto. Usando seus anos de experiência no nível profissional, ele fornecerá feedback sobre produtos atuais, assim como sobre protótipos ao longo do ano. Como acontece com todos os atletas da Factor Racing, seu papel como testador de produto é pelo menos tão valioso para a marca quanto seus resultados como competidor.
Equilíbrio
Ter um esporte que exige tanto todos os dias de seus atletas frequentemente resulta em vidas completamente desequilibradas. Algumas pessoas preveem que as carreiras serão muito mais curtas por causa disso. Ou talvez, como Bardet, os ciclistas profissionais comecem a buscar novas maneiras de praticar o esporte sem precisar abrir mão de tanto do que são como pessoas.
“Acredito que evoluí muito nos anos finais da minha carreira. Não apenas no sentido dos meus objetivos, mas também na minha motivação”, explicou. “Eu realmente gosto de estar na frente da corrida todos os dias, então, quando comecei a encarar a realidade de que lutar por um pódio em uma grande volta, que tinha sido o principal objetivo da minha carreira, quando isso já não era mais realmente possível, então o sentido de continuar a carreira ficou um pouco perdido.”
Sem planilhas
Mas o que nunca desapareceu em Bardet foi o amor por estar em cima da bicicleta. “Estou aposentado há cerca de 6 meses agora, mas minha vida não mudou fundamentalmente. Talvez hoje eu organize meus dias de um jeito um pouco diferente, mas, essencialmente, eu trabalho para estabelecer uma boa base. Porque estou indo para o gravel, mas estou tratando isso com respeito, com certeza. Você precisa, senão você leva uma surra todo fim de semana.”
Sem a obrigação de seguir as planilhas de um treinador, Bardet continua comprometido em treinar e tirar o máximo de si mesmo. Só está fazendo isso com um pouco mais de alma e menos pressão externa.
“O foco meio que mudou. Eu ainda gosto de pedalar muito, mas já não consigo seguir nenhum plano de treino. Vou no fluxo. Sei que preciso me forçar em alguns dias se quero ser bom, mas também tenho uma vida muito mais equilibrada”, explicou.
“Ainda treino entre 15 e 25 horas por semana, dependendo do cronograma de viagens e de todas as outras coisas que você precisa fazer. Competindo no gravel, as demandas são um pouco diferentes, mas eu gosto. E eu sinto que no gravel consigo realmente misturar o melhor de cada área.”
Fazendo uso de tudo o que aprendeu em 15 anos como profissional, Bardet está comprometido a traduzir essa experiência para as corridas de gravel, com todas as exigências diferentes e oportunidades variadas que elas oferecem.
“Eu me respeito como ser humano tentando ter uma vida saudável, então não quero perder esse estilo de vida só porque eu meio que perdi o propósito, sabe, de ser bom e performar bem no nível do WorldTour”, disse. “Eu queria recuperar o equilíbrio. Eu pedalo primeiro por mim mesmo, porque eu gosto. Estou realmente feliz por alinhar para as corridas este ano porque isso me envolve. Estou animado para viajar para alguns lugares diferentes, explorar e aproveitar as diferentes coisas que vêm junto quando você está pedalando.”
Mais informações sobre a Factor Ostro: https://factorbikes.com/bikes/ostro-gravel







