O pedido de patente “Multispeed Drive Unit For An Electric Bicycle” da Sram é ideal para bicicletas elétricasDo Bikemagazine
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Um recente pedido de patente da Sram indica que a empresa norte-americana pode estar desenvolvendo uma solução capaz de tornar o câmbio traseiro obsoleto — ao menos na maioria das aplicações em bicicletas elétricas. Com seu elevado torque, as e-bikes equipadas com câmbios tradicionais sofrem desgaste acelerado no sistema de transmissão.
O pedido de patente norte-americano nº 19/238.462 — Multispeed Drive Unit For An Electric Bicycle — tornado público no dia de Natal de 2025, apresenta imagens e detalhes técnicos de uma hipotética unidade integrada de motor e caixa de câmbio MGU (Motor Gear Unit).
Embora a documentação não traga uma descrição aprofundada dos componentes internos, o documento descreve, em linhas gerais, uma unidade de tração que combina um sistema de engrenagens com 12 relações de marcha bem escalonadas e uma amplitude total de 504%.
O projeto principal descrito na patente é baseado em um sistema de marchas com escalonamento progressivo, mas o texto também menciona outras soluções de transmissão, “como um cubo de marchas internas, uma caixa de câmbio e/ou uma transmissão continuamente variável, o conhecido sistema CVT (Continuously Variable Transmission)”, amplamente utilizado em automóveis e scooters.
O documento ainda cita a possibilidade de diferentes modos de condução escolhidos pelo ciclista, além de um modo automático baseado em sensores, com a opção de ajustar algumas características das trocas de marcha. No entanto, não há qualquer informação sobre o torque máximo ou a potência que o sistema seria capaz de entregar.
Isoladamente, esse pedido de patente da Sram pouco revela sobre o futuro da tecnologia das bicicletas elétricas. Todos os anos, dezenas de projetos promissores aparecem nos registros de patentes, mas apenas uma pequena parcela chega ao mercado.
Esta não é a primeira iniciativa desse tipo apresentada por um grande fabricante, e a japonesa Shimano já propôs um conceito semelhante. À primeira vista, ambos se aproximam de soluções que já existem comercialmente, como a caixa de câmbio da Pinion e a Valeo Cyclee de 7 velocidades. Paralelamente, seguem avançando as transmissões do tipo CVT, como as desenvolvidas pelas empresas Owuru e Enviolo.
Vantagens e desvantagens
Em conjunto, esses movimentos sugerem que o domínio do câmbio traseiro pode estar se aproximando do fim, ao menos no universo das bicicletas elétricas. A e-bike é um ambiente particularmente favorável à adoção de caixas de câmbio, já que o maior torque acelera o desgaste dos componentes tradicionais, enquanto a assistência elétrica reduz as desvantagens associadas ao arrasto mecânico e ao peso adicional.
Entre as principais vantagens da caixa de câmbio em relação aos sistemas convencionais estão a maior confiabilidade e a baixa necessidade de manutenção. No pedido de patente da Sram, é possível identificar a presença de um bujão para enchimento e drenagem de óleo (752) e de um visor de nível (754) no lado oposto ao da transmissão.
A caixa MGU da Pinion, por exemplo, exige troca de óleo a cada 10 mil quilômetros. Caso o sistema utilize correia dentada em vez das correntes tradicionais, a economia de manutenção tende a ser ainda maior, já que a durabilidade é significativamente superior.
Assim como os cubos traseiros com câmbio de marchas embutidas, a principal desvantagem da caixa de câmbio é o peso elevado do componente, que aumenta de forma sensível o peso total da bicicleta. Por esse motivo, trata-se de uma solução mais adequada às bicicletas elétricas, nas quais o peso adicional é compensado pela motorização, sem exigir esforço extra do ciclista.







