Entrevista com Henrique Bravo: “Tenho o sonho de representar o Brasil nas Olimpíadas”

Aos 20 anos, brasileiro que começou no MTB agora busca espaço entre os melhores da categoria sub-23 e sonha com os Jogos de Los Angeles

Bikemagazine
28 de agosto de 2026

 

Henrique Bravo

Henrique Bravo mora em Girona, na Espanha, e defende a equipe belga Soudal-QuickStep Devo Team

Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Soudal-QuickStep Devo Team

Aos 20 anos, o mineiro Henrique Bravo, da Soudal Quick-Step Devo Team, consolidou em 2026 uma das temporadas mais importantes de sua ainda curta carreira. Único brasileiro no Tour de l’Avenir deste ano, uma das principais competições sub-23 do calendário internacional, Henrique terminou a prova francesa na quinta colocação geral (veja notícia), no melhor resultado de um brasileiro na competição.

Henrique Bravo terminou em 5º na geral do Tour de l'Avenir

Henrique Bravo terminou em 5º na geral do Tour de l’Avenir

O resultado coroa uma temporada de grande evolução. Em 2026, o brasileiro venceu uma etapa no Tour de Ruanda e conquistou títulos no Tour of Antalya, no Oberösterreich Rundfahrt e no Giro della Valle d’Aosta, além do terceiro lugar no Giro d’Italia Next Gen.

A trajetória até aqui, porém, começou longe das grandes equipes europeias. Henrique começou a pedalar aos 11 anos, em uma bicicleta infantil da Hot Wheels equipada com rodinhas. Em 2018, iniciou no mountain bike e chegou a conquistar um título brasileiro na modalidade. Dois anos depois, comprou uma bicicleta de estrada e começou a se dedicar também ao ciclismo de estrada.

A mudança ganhou força em 2024, quando surgiu a oportunidade de competir na Europa. O bom desempenho, incluindo uma vitória em uma prova da UCI, abriu as portas para equipes de maior expressão e acabou levando o mineiro à Soudal Quick-Step Devo Team, onde cumpre atualmente seu segundo ano na categoria sub-23.

Morando em Girona, na Espanha, Henrique vive hoje a rotina de um jovem ciclista que busca dar o próximo passo rumo ao profissionalismo. Depois de um 2026 marcado por resultados expressivos, o brasileiro já mira os próximos desafios: o Campeonato Mundial de Ciclismo, em Montreal, e, mais adiante, a possibilidade de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Nesta entrevista ao Bikemagazine, Henrique fala sobre sua trajetória, a adaptação à Europa, a evolução como ciclista, os pontos que ainda precisa melhorar, o sonho olímpico e a possibilidade de voltar a competir no mountain bike.

Bikemagazine – Você começou no mountain bike e chegou a conquistar título brasileiro na modalidade. Como aconteceu essa transição para o ciclismo de estrada e, principalmente, como surgiu a oportunidade de ir para a Europa e integrar uma equipe de tanto prestígio como a Soudal Quick-Step?

Henrique Bravo – Comecei no mountain bike em 2018 e, inicialmente, fazia apenas uma modalidade. Em 2020, comprei uma bicicleta de estrada e comecei a treinar mais na estrada. Fui pegando gosto pela modalidade, mas fiz poucas provas no Brasil, alguns campeonatos nacionais, principalmente.

Em 2024, tive a oportunidade de vir para a Europa para disputar algumas provas. Acabou dando muito certo e consegui vencer uma prova da UCI, a Vuelta Ribera del Duero. Isso abriu ainda mais os olhos das grandes equipes para mim. No fim, escolhi a Soudal Quick-Step Devo Team e já estou no meu segundo ano de sub-23 na equipe.

Ciclista tem o sonho de disputar os Jogos Olímpicos

Ciclista começou no mountain bike e não descarta voltar à modalide para algumas provas importantes no futuro

Bikemagazine – Hoje você vive na Europa. Onde está morando e como tem sido a adaptação à rotina de viver, treinar e competir longe do Brasil? O que foi mais difícil nessa mudança?

Henrique Bravo – Este é meu segundo ano morando em Girona, na Espanha. É um lugar muito famoso no ciclismo e escolhi morar aqui principalmente por isso. Também existe uma comunidade grande de brasileiros, o que é bastante importante.

É claro que a adaptação requer tempo. Hoje já estou acostumado, mas é preciso ficar longe da família e de tudo aquilo que representa a zona de conforto no Brasil. Ao mesmo tempo, acredito que a qualidade de vida, as estradas para treinar e a segurança aqui são sensacionais. Por isso escolhi morar em Girona e hoje estou muito bem adaptado e contente aqui.

Bikemagazine – Você tem nacionalidade europeia ou algum vínculo familiar que facilite sua permanência e atuação profissional na Europa?

Henrique Bravo – Sim. Tenho passaporte europeu porque minha família era de Portugal, e isso facilita a permanência aqui.

Bikemagazine – Você vem mostrando uma evolução importante em 2026, conquistou vitórias em etapas e também em provas importantes e terminou em quinto na classificação geral do Tour de l’Avenir. Como você avalia seu momento atual e o que acredita que ainda precisa evoluir para dar o próximo passo como ciclista profissional?

Henrique Bravo – Foi uma grande evolução. De 2025 para 2026, evoluí muito. No verão do ano passado eu já estava andando muito bem em provas de montanha, como o Giro della Valle d’Aosta e o Tour da Alsácia.

Este ano tive um inverno muito bom, sem lesões ou qualquer coisa que pudesse me atrapalhar. Comecei a temporada andando bem no Tour de Ruanda (veja notícia) e no Tour of Antalya (veja notícia), e depois fui crescendo até chegar aos principais objetivos da temporada, como o Giro Next Gen, o Giro della Valle d’Aosta e o Tour de l’Avenir.

Ainda tenho muito a melhorar e aprender, principalmente com os profissionais. A evolução neste último ano foi muito grande, mas ainda tenho muito a evoluir até chegar ao nível profissional.

Bikemagazine – Pensando especificamente nas suas características como ciclista, qual habilidade você considera que ainda precisa melhorar mais? O contrarrelógio individual é uma delas? E como você vem trabalhando esse aspecto nos treinamentos e nas competições?

Henrique Bravo – Acredito que preciso melhorar o contrarrelógio, principalmente pela experiência com a bicicleta. Eu praticamente nunca tinha andado em uma bicicleta de contrarrelógio até entrar na equipe. É tudo muito diferente e acredito que ainda tenho uma margem muito grande para evoluir nessa modalidade.

No restante, acredito que sou bom na escalada e também tenho um bom punch. Mas sempre quero melhorar, inclusive nas coisas em que considero que já tenho um bom nível. No geral, quero melhorar em todas as modalidades, tanto meus pontos fortes quanto os pontos fracos.

O contrarrelógio é uma das habilidades que Henrique Bravo tem grande margem para melhorar

Bikemagazine – O Campeonato Mundial deste ano será realizado em Montreal. Você pretende disputar a prova e já está trabalhando com esse objetivo? Como imagina que pode ser sua participação em um Mundial na categoria sub-23?

Henrique Bravo – Sim. Meu próximo grande objetivo é o Campeonato Mundial de Ciclismo, em Montreal. Acredito que será uma prova imprevisível por ser uma competição de um dia, mas espero chegar em boa forma e acredito que posso fazer um belo resultado para o Brasil.

Bikemagazine – O ciclo olímpico para Los Angeles 2028 já começou. Representar o Brasil nos Jogos Olímpicos está no seu radar? É uma meta que você já pensa em perseguir nos próximos anos?

Henrique Bravo – Sim. Os Jogos Olímpicos são uma meta para mim. Tenho o sonho de representar o Brasil nas Olimpíadas e estou fazendo tudo ao meu alcance para poder disputar com os melhores do mundo.

Bikemagazine – Muitos ciclistas com seu perfil, que vieram do MTB e migraram para a estrada, disputam provas nas duas modalidades, como Tom Pidcock e Mathieu van der Poel. Você pretende correr mountain bike no futuro?

Henrique Bravo – No futuro, sim. Pretendo voltar a correr mountain bike. É uma modalidade que acho muito bacana, mas, no momento, meu foco é a estrada. Quem sabe nos próximos anos eu gostaria de fazer algumas provas importantes, como o Campeonato Mundial de Mountain Bike. Tenho vontade de voltar a competir.

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