Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Unipublic
Tadej Pogacar retorna à Volta a Espanha como um dos principais nomes da edição de 2026, cinco anos depois de conquistar o terceiro lugar na classificação geral em sua estreia em um Grand Tour. Aos 27 anos, o esloveno busca completar a coleção de vitórias nas três grandes voltas do ciclismo.
Campeão do Tour de France em 2020, 2021, 2024, 2025 e 2026, além de vencedor do Giro d’Italia em 2024, Pogacar ainda não venceu a Volta a Espanha. A corrida espanhola, porém, ocupa um lugar especial em sua trajetória: foi nela que, aos 20 anos, ele mostrou pela primeira vez que poderia competir entre os melhores em uma prova de três semanas.
Primeira participação em 2019
A edição de 2019 foi inicialmente planejada apenas como uma oportunidade de aprendizado para o jovem ciclista da UAE Team Emirates. O diretor esportivo Joxean “Matxin” Fernández havia estabelecido um plano de carreira que previa entre 65 e 70 dias de competição em 2019, com a estreia em um Grand Tour somente em 2020.
“Ele progrediu muito mais rápido do que esperávamos, então ajustamos o plano”, explicou Matxin. A vitória de Pogacar no Tour da Califórnia daquele ano acelerou ainda mais o processo.
A Volta a Espanha de 2019 começou em Torrevieja com três vencedores anteriores da prova entre os favoritos: Alejandro Valverde, Nairo Quintana e Fabio Aru. Pogacar, então estreante, deveria ganhar experiência ao lado deles. A UAE Team Emirates, porém, começou mal, terminando em 21º lugar no contrarrelógio por equipes de abertura, vencido pela Astana.
O grande favorito era Primoz Roglic, que havia terminado em terceiro no Giro d’Italia daquele ano e buscava sua primeira vitória em um Grand Tour. Entre os jovens apontados como candidatos a surpreender estavam Miguel Ángel López, Sergio Higuita e o próprio Pogacar.
A edição de 2019 também marcou a estreia da camisa branca na Volta a Espanha, destinada ao melhor ciclista com menos de 26 anos. Pogacar vestiu a camisa pela primeira vez após a sexta etapa, em Mora de Rubielos, embora Miguel Ángel López fosse o líder da classificação geral.
Na etapa seguinte, Pogacar perdeu 51 segundos para Valverde na chegada ao alto de Mas de la Costa. Dois dias depois, entretanto, conquistou sua primeira vitória em um Grand Tour. Aos 20 anos, venceu a nona etapa, entre Saint-Girons e Cortals d’Encamp, em Andorra.
Foi também naquele momento que o público e a imprensa passaram a conhecer melhor o jovem esloveno.
“Meu nome é Tadej Pogacar. Venho da Eslovênia. É um país pequeno, onde as pessoas são trabalhadoras. Comecei a pedalar aos nove anos para ser como meu irmão mais velho, porque tudo o que ele fazia eu também queria fazer. Ele parou de pedalar, mas eu não. Nunca parei de evoluir e, até hoje, estou muito feliz com o que conquistei”, afirmou.
Luta pela camisa branca
Na metade da corrida, Roglic liderava com 1min52s de vantagem sobre Valverde, enquanto Pogacar ocupava a quinta posição, a 3min05s. Na 13ª etapa, com chegada em Los Machucos, os dois eslovenos chegaram juntos ao trecho decisivo e Pogacar venceu novamente, assumindo pela primeira vez a liderança da classificação de jovens.
Miguel Ángel López recuperou a camisa branca na etapa 18, em Becerril de la Sierra. Na manhã da penúltima etapa, Pogacar era quinto na geral, a 1min18s do terceiro colocado. Ainda assim, a classificação estava aberta.
O percurso até a Plataforma de Gredos oferecia 4.500 metros de ganho de elevação. Em meio à chuva e ao vento, Pogacar atacou a 38 quilômetros da chegada e abriu vantagem sobre os rivais. Cruzou a linha de chegada 1min32s à frente de Valverde, então campeão mundial, que terminou em segundo.
“Eu acho que preciso de alguns dias para entender o que fiz”, afirmou Pogacar após a chegada.
Supresa para Eddy Merckx
Eddy Merckx acompanhava a corrida pela televisão e percebeu imediatamente a dimensão do desempenho do jovem esloveno. “Naquele dia, soube que estávamos diante de um campeão excepcional”, declarou o belga posteriormente.
O resultado colocou Pogacar em uma lista restrita da história dos Grand Tours. Antes dos 21 anos, apenas três ciclistas haviam terminado no pódio de uma grande volta desde a Primeira Guerra Mundial: Fausto Coppi, vencedor do Giro d’Italia de 1940; Antonio Jiménez, segundo na Volta a Espanha de 1955; e Giambattista Baronchelli, vice-campeão do Giro de 1978.
Pogacar também se tornou o segundo ciclista a vencer três etapas de um Grand Tour antes dos 21 anos. O primeiro havia sido Giuseppe Saronni, com três vitórias no Giro d’Italia de 1978. A diferença é que as três vitórias de Pogacar na Volta a Espanha de 2019 aconteceram em etapas de montanha.
Aquela campanha terminou com Pogacar em terceiro lugar na classificação geral, atrás de Primoz Roglic e Alejandro Valverde. Até hoje, esse continua sendo seu pior resultado em uma grande volta.
Seis anos depois daquela estreia que antecipou uma carreira histórica, Pogacar retorna à Volta a Espanha em busca do único Grand Tour que ainda falta em seu currículo. A prova que revelou o esloveno ao mundo pode agora representar o próximo capítulo de sua trajetória nas grandes voltas.
Guia Volta a Espanha 2026: etapas, altimetrias, percurso, datas e distâncias
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