Confira todos os detalhes do novo Shimano XTR Di2 M9200

Todos os detalhes do novo grupo topo de linha

Bikemagazine
4 de junho de 2025

Texto e fotos: Gustavo Cebo @guscebo
Especial para o Bikemagazine

Ao longo dos anos, a sigla XTR se consolidou como o ápice do desempenho quando falamos em grupos para mountain bikes. Afinal, desde sua primeira versão, todos os componentes dessa linha sempre se destacaram por um nível tecnológico extremamente elevado. Com a chegada do novo novo grupo Shimano XTR Di2 M9200, que inaugura a era dos câmbios eletrônicos sem fio (wireless) da Shimano e também introduz rolamentos no cubo das rodas e dá adeus ao tradicional sistema de cones de esferas, o padrão elevou.

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Detalhe do cubo traseiro, agora com rolamento em vez do antigo sistema cone com esferas

Desempenho no XC, durabilidade no Enduro
A Shimano apostou em uma nova filosofia para seus novos grupos e na crescente popularidade não só das elétricas, mas também de modalidades como o trail e o enduro, nichos que estão crescendo bastante ao redor do mundo, e também no Brasil.

O câmbio traseiro, agora com acionamento totalmente sem fio, com tecnologia Crash Recovery e sem a embreagem

Isso quer dizer que, além de manter o foco no baixo peso e no alto rendimento, o novo XTR M9200 foi desenvolvido para ser robusto e confiável. Embora ainda não seja possível avaliar a longevidade dos componentes, pudemos testar sua resistência a fundo – com procedimentos mais convencionais, como trocas de marcha sem aliviar a potência nas e-bikes, e também com testes de impacto direto nos componentes. Teve até gente batendo o câmbio propositalmente contra pedras e martelos.

Essa filosofia está presente em todas as partes do novo grupo: nos cubos com rolamentos industriais, no câmbio com mecanismo de crash recovery e desenho arredondado para deslizar sobre pedras, na coroa com partes reforçadas nos pontos que podem bater no chão, e até nas roldanas fechadas, que impedem a entrada de galhos — uma clara resposta japonesa às roldanas Magic Pulley da concorrente Sram.

Trocas de marcha robóticas
Como era de se esperar, o XTR Di2 M9200 é capaz de realizar trocas de marcha extremamente rápidas e precisas. Porém, diferente de seus concorrentes mais diretos, como os grupos Sram T-Type, o XTR não espera o cassete estar na posição perfeita para executar a troca. Isso significa que ao apertar o botão o câmbio se movimenta de forma imediata, como em um sistema mecânico — e a precisão da troca fica por conta do desenho das rampas e ressaltos no cassete e na corrente, além da elevada pressão da mola do cage.

As trocas de marchas são extremamente rápidas e precisas

Assim, mesmo pedalando uma e-bike na potência máxima e aplicando força nos pedais em uma subida, o novo grupo topo de linha é capaz de cambiar a corrente de um pinhão para o outro sem qualquer atraso — e com uma boa dose de barulho. A sensação é semelhante à troca de marchas de um carro esportivo: um processo rápido, preciso e com um som mecânico alto, mas bastante satisfatório.

Além disso, graças ao aplicativo E-Tube, tudo pode ser configurado. Isso significa que, se você preferir trocas um pouco mais lentas, basta ajustar essa preferência diretamente no app. Outro detalhe interessante é que, além da velocidade, é possível escolher diferentes modos de operação do câmbio — desde uma única mudança por clique no botão, até trocas contínuas enquanto a alavanca do trocador estiver pressionada.

Detalhe do belo pedivela com reforços na coroa

Os ruídos de corrente batendo simplesmente não existem no novo XTR. Isso se deve, em parte, à nova tecnologia de tensão no cage, que abandona a tradicional embreagem por atrito e passa a utilizar duas molas capazes de exercer uma tensão extremamente elevada nos pinhões menores – tensão que vai diminuindo gradativamente conforme a corrente sobe pelo cassete em direção aos pinhões de maior diâmetro.

Shifter intuitivo
Ao olhar pela primeira vez o novo trocador da Shimano, com suas alavancas posicionadas uma atrás da outra, a impressão inicial é de que ele poderia ser pouco ergonômico ou exigir um tempo de adaptação — assim como acontece com muitos trocadores eletrônicos da Sram. Porém, nada poderia estar mais longe da verdade.

O novo trocador é bastante intuitivo no uso com pads de acionamento em lugar das tradicionais alavancas

Ao subir na bike e começar a pedalar, a impressão é de que você já usou aquele sistema muitas vezes antes. Talvez isso se deva à ampla gama de ajustes, que permitem regular o componente lateralmente e até mesmo a posição dos pads de troca de marcha, ou ao fato de as alavancas oferecerem um curso real, com um clique pronunciado, acionado de forma mecânica — ou seja, nada daqueles botões com pouca sensação tátil, que podem ser pressionados acidentalmente ou até ativados mais de uma vez sem querer.

Isso quer dizer que, apesar de ser um grupo 100% eletrônico e sem fios, o XTR M9200 mantém a “alma” mecânica, e mais uma vez voltamos para aquela sensação de estar trocando as marchas de um carro esportivo, com engates secos, rápidos e precisos.

Novos freios, as estrelas do show
Com opção de quatro ou dois pistões e alavancas para XC ou Trail, os novos freios XTR realmente foram um dos maiores destaques do show, sendo positivamente comentados por todos os que tiveram a oportunidade de pedalar com o componente.

Novos freios usam óleo mineral de baixa viscosidade

Apostando em um novo óleo mineral de baixa viscosidade e em diversas mudanças no manete — que ganhou um novo posicionamento para o pivô e uma alavanca levemente inclinada para cima —, a Shimano mais uma vez mostrou por que, ao longo dos anos, seus freios se tornaram o padrão pelo qual todos os outros são medidos.

Com o novo desenho, a alavanca do freio se move menos “para dentro” ao ser acionada, mantendo uma posição mais natural para os dedos. Esse tipo de detalhe é difícil de ser percebido, mas a sensação de conforto e o simples fato de o piloto esquecer completamente que está usando um componente pela primeira vez são um atestado do bom desempenho da novidade — afinal, quando um componente é bom, você se adapta rapidamente.

Os manetes de freio têm ergonomia mais natural no movimento dos dedos

Segundo a Shimano, a adoção do óleo de menor viscosidade, junto com selamentos mais precisos, ajuda a minimizar um problema recorrente em alguns freios da marca: a variação do ponto de contato conforme o freio esquenta, o que pode gerar uma sensação de funcionamento inconsistente.

Infelizmente, o Mobai não possui descidas longas o suficiente para avaliar esse quesito em profundidade. Contudo, vale destacar que ambas as e-bikes estavam equipadas com pinças de apenas dois pistões, e nem nosso piloto de testes nem atletas muito mais rápidos que ele foram capazes de sentir qualquer tipo de fade ou perda de potência na frenagem.

Com um funcionamento primoroso, modulação fácil e potência na medida certa, não é difícil dizer que, provavelmente, os novos freios XTR da linha M9200 são os melhores — ou um dos melhores — do mercado atual.

Detalhe do novo cubo traseiro: agora com rolamentos

Conclusão
Após dois dias de avaliação em trilhas do Mobai Bike Land, o Shimano XTR Di2 M9200 evidenciou os principais avanços que a Shimano buscou para este grupo: a adoção do crash recovery e do desenho arredondado do câmbio aumentou a resistência a impactos, enquanto o sistema Shadow ES manteve trocas precisas mesmo sob alto torque em subidas de e-bike.

O acionamento eletrônico, ajustável pelo app E-Tube, permitiu mudanças quase instantâneas sem ruídos de corrente. Apesar do layout de alavancas sobrepostas, o trocador mostrou-se intuitivo e rapidamente assimilável.

Em linhas gerais, o XTR Di2 demonstra capacidade de atender tanto ao cross-country tradicional quanto às exigências de trail e enduro, consolidando a nova filosofia da Shimano de mesclar leveza, precisão e robustez.

VÍDEO

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Mais informações no site oficial shimano.com

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