Por Marcos Adami
Fotos de divulgação e arquivo pessoal
O paulista Igor Molina traz o ciclismo em seu DNA. Nascido e criado em São José dos Campos, o ciclista de 27 anos da AndBank Cycling Team vem de uma família profundamente ligada à modalidade. A avó, Sônia Molina, responsável pela Liga de Ciclismo do Vale do Paraíba desde 1996 e conhecida nacionalmente. O pai, Alexandre Molina, é fundador do Clube de Ciclismo de São José dos Campos.
“Em frente à casa da minha vó havia o alojamento de uma equipe chefiada pelo famoso Antonio Carlos Silvestre. Meu pai fez parte dessa equipe e eu fui criado nesse meio”, lembra Molina, que este ano conclui o curso de Educação Física.
Com 12 anos, Molina já levava os treinos muito a sério. Em 2013, aos 14 anos, foi campeão brasileiro infanto-juvenil de estrada e contrarrelógio. Nos anos de 2014 e 2015 integrou o programa Atleta Cidadão e participou de training camps na Itália. Na primeira prova no país europeu terminou em décimo, resultado que serviu de motivação para uma dedicação ainda maior em seu primeiro ano como juvenil.
A passagem pela Itália rendeu um convite para integrar a equipe espanhola Arte en Transfer (atualmente Previley) em 2017, quando disputou sua última temporada na categoria júnior e venceu duas provas.
Em 2018 retornou ao Brasil e fez sua primeira temporada na categoria Sub-23. Disputou apenas quatro provas e venceu o Gran Cup de Ubatuba em um sprint contra Rafael Andriato.
“Essa vitória foi muito importante para mim”, recorda Molina, que recebeu o convite de Benedito Tadeu “Kid” para integrar a equipe de Pindamonhangaba (atual AndBank Cycling Team) nas temporadas de 2018 e 2019. Em 2019 venceu o prólogo da Volta de Guarulhos, vestiu a camisa de líder e mais tarde conquistou o título do Meeting Internacional de Goiânia.
O trabalho de Kid
Molina começou a trabalhar com Kid em 2019 e, desde então, o relacionamento profissional entre ambos se mantém sólido.
“O Kid trabalha de uma maneira muito profissional, até mais do que equipes amadoras que conheci na Europa. Como ele já teve equipe Continental e tem vivência do mundo WorldTour, competimos cada corrida com essa visão. Essa é a diferença do trabalho dele. Na equipe, cada um tem sua função e o Kid consegue coordenar isso de forma profissional”, diz Molina, que espera temporadas futuras com ainda mais conquistas.
“Sempre tivemos bicicletas e material da melhor qualidade. De 2023 para cá a equipe só cresceu. Com a chegada do AndBank, a estrutura vai melhorar ainda mais e teremos a oportunidade de disputar provas internacionais relevantes”, afirma.
Experiência na Europa
Em busca de evolução e de experiência no ciclismo europeu, Molina decidiu voltar ao Velho Continente para as temporadas de 2021 e 2022. Morou em Bembibre, cidade vizinha a León e localizada na rota do mítico Caminho de Santiago de Compostela. Molina dividiu moradia com o uruguaio Thomas Silva, hoje ciclista da XDS-Astana, e com o chileno Cristóbal Ramírez, vencedor da etapa rainha da Volta de San Juan deste ano.
No primeiro ano na Europa, Molina foi campeão por pontos da Volta a Salamanca, que teve como campeão geral o fluminense Vinicius Rangel. No ano seguinte, já na categoria Elite, venceu o GP Tetuán-Madrid e a Volta a Los Pinares-Segovia.
Mas uma lesão no joelho, que o manteve 42 dias longe da bicicleta, e uma Covid, com isolamento de 20 dias, prejudicaram a temporada e Molina optou por retornar ao Brasil.
“Com 23 anos, um ciclista na Europa já é considerado maduro. A melhor decisão foi voltar ao Brasil e ingressar em uma equipe grande por aqui. Na Espanha era difícil conseguir bons resultados”, diz.
O retorno de Molina à equipe de Pindamonhangaba em 2023 se mostrou acertado e o ciclista venceu a primeira prova que disputou (Liga do Vale). Na Volta do Uruguai venceu a oitava etapa (veja notícia) e ganhou ainda mais motivação para a temporada. Molina terminou o ano como líder do ranking nacional, com seis vitórias.
Em 2024 venceu a primeira etapa (veja notícia) e terminou como vice-campeão da Volta de Goiás, encerrando a temporada como vice-líder do ranking nacional, com cinco vitórias.
A boa fase continuou em 2025 com a conquista do título geral da Volta de São Paulo, incluindo vitória na quarta etapa. Molina foi segundo colocado no sprint da última etapa da Volta de Santa Catarina e terminou a temporada como líder do ranking nacional, com duas vitórias, sete segundos lugares e cinco terceiros.
Metas para 2026 e 2027
No próximo domingo (15 de março), Molina embarca para a Colômbia para disputar o Campeonato Pan-Americano de Estrada. A prova do brasileiro será no dia 22 de março, na cidade de Montería, em um percurso ao nível do mar.
Além do Pan-Americano, Molina tem como principais objetivos na temporada 2026 a Volta de São Paulo, em maio, e o Campeonato Brasileiro de Estrada, em julho. A Volta de Santa Catarina também está entre as metas para o segundo semestre.
Terceiro Sargento da FAB
Desde 2023 Molina é terceiro-sargento do Programa Atleta de Alto Rendimento (PAAR) da Força Aérea Brasileira.
“Participei do edital da FAB e, pela minha regularidade, consegui ingressar no programa”, explica Molina.
Em 2027 serão disputados os Jogos Mundiais Militares, em Charlotte, nos Estados Unidos, e o evento também está no foco do ciclista.
“O ciclismo de estrada ainda não foi confirmado no evento, mas estarei pronto para representar o Brasil”, garante.
O objetivo de Los Angeles 2028
Molina conta que, desde criança, sempre teve como objetivo participar de uma Olimpíada e que o ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028 já começou.
“No Pan-Americano de Ciclismo da Colômbia vamos buscar pontos importantes para o Brasil”, explica.
Além dos novos patrocinadores, a AndBank Cycling Team também pretende buscar recursos por meio de projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.
“A equipe tem tudo para voltar a ser Continental ou Pro Continental”, avalia o ciclista.
Para Molina, o objetivo é claro: seguir evoluindo no ciclismo internacional e transformar o sonho olímpico em realidade.
Mais informações no site https://brasilprocyclingteam.com









