A Volta de São Paulo reencontrou sua grandeza

Com organização elogiada, equilíbrio técnico e presença internacional forte, prova paulista ganha relevância no ciclismo sul-americano

Bikemagazine
12 de maio de 2026

A 12ª Volta de São Paulo teve 745km divididos em 5 etapas; evento de Classe UCI 2.2 reuniu 19 equipes

Por Marcos Adami
Foto de Ivan Storti

A Volta de São Paulo voltou aos bons tempos. Realizada de 4 a 8 de maio, a 12ª edição da corrida foi uma das melhores de sua história. O presidente da Federação Paulista de Ciclismo (FPC), José Cláudio Facex, e a primeira-dama do ciclismo paulista, Alessandra Santos, deram a volta por cima e entregaram uma prova segura e de alto nível, elogiada por ciclistas, dirigentes e comissários internacionais. As cinco etapas e os 745 km de percurso recolocaram a Volta de SP no mapa internacional.

Diferente de edições passadas, marcadas pela presença de equipes modestas de países vizinhos, a ascensão para a classe UCI 2.2 trouxe forças do continente sul-americano, em especial as colombianas Team Medellín-EPM e Nu Colômbia — terceira e quarta colocadas no ranking América Tour, respectivamente — além das chilenas Plus Performance-Zeo Sport, sexta colocada nas Américas, e AllCycling Team.

Desde a primeira edição, em 2004, nos tempos da Yescom/Globo, a Volta de SP tem como característica as longas etapas em rodovias duplicadas, de ótimo asfalto, além da boa estrutura e conforto para ciclistas e toda a caravana, com boa alimentação e hotéis de qualidade.

Realizada com recursos de emenda parlamentar do deputado estadual Sebastião Santos, a FPC levou a corrida para o interior do estado, com largada em Três Fronteiras, a 620 km da capital. Fazer ciclismo no interior é muito mais viável do que nas caóticas marginais e rodovias próximas à capital — decisão que se mostrou acertada ao longo da prova.

Facex também acertou ao prever que a corrida seria definida nos detalhes. A ausência de montanhas deixou a disputa aberta até o último dia, em uma prova equilibrada e decidida apenas no sprint final da última chegada, em Araraquara. A diferença entre o campeão, o colombiano Wilmar Paredes (Team Medellín-EPM), e o vice-campeão, o gaúcho Alex Melo (AndBank), foi de apenas seis segundos — a mais apertada da história do evento.

A edição de 2026 mostrou que a Volta de São Paulo ainda tem força, tradição e capacidade para voltar a ocupar um espaço importante no calendário internacional. O ciclismo brasileiro merece e agradece.

error: Conteudo protegido