Do Bikemagazine
Fotos de divulgação Decathlon-CMA CGM
O ciclismo francês voltou a sonhar alto. Depois de anos procurando um sucessor para nomes como Bernard Hinault e Julian Alaphilippe, a França parece ter encontrado em Paul Seixas um talento capaz de recolocar o país no centro das grandes disputas do ciclismo mundial. Com apenas 19 anos, o jovem da equipe Decathlon–CMA CGM coleciona vitórias expressivas, atuações históricas e comparações inevitáveis com o esloveno Tadej Pogačar, atual campeão mundial de ciclismo.
Seixas já soma 10 vitórias em provas da UCI, cinco delas em corridas WorldTour, e atualmente ocupa a 7ª colocação no ranking mundial da entidade. Em 2026, foi campeão geral da Itzulia Basque Country (Volta ao País Basco), conquistando também os títulos das classificações de montanha, por pontos e de juventude. Tornou-se o mais jovem vencedor da história da Flèche Wallonne aos 19 anos, venceu a Ardèche Classic e terminou como vice-campeão da Monumento Liège–Bastogne–Liège e da Strade Bianche, atrás apenas de Tadej Pogačar.
O mais impressionante não é apenas a quantidade de vitórias, mas o perfil delas. Seixas venceu provas de uma semana, clássicas de um dia, etapas de montanha, contrarrelógios individuais, além de classificações por pontos e montanha. Isso mostra um corredor extremamente completo para a idade. A imprensa europeia já o descreve como o maior talento francês desde Laurent Fignon, enquanto parte da mídia francesa já fala abertamente em um possível vencedor futuro do Tour de France.
Avô português
Filho de pai e mãe lutadores de caratê, Seixas nasceu em Lyon, no dia 24 de setembro de 2006, e começou no ciclismo ainda muito jovem, inicialmente influenciado pelo avô português. Começou a pedalar aos 8 anos no clube de ciclismo de Lyon, o Sprint Évolution (LSE). Pela LSE, o prodígio francês venceu inúmeras corridas entre os 9 e 14 anos até se juntar à equipe Vélo Club Villefranche Beaujolais (VCVB), em 2021. Em 2024, passou a integrar a equipe La Motte-Servolex Cyclisme.
Ainda nas categorias de base, acumulou títulos nacionais franceses e rapidamente passou a ser tratado como uma das maiores promessas do país. O salto definitivo veio no cenário júnior, quando suas performances em provas por etapas chamaram a atenção da estrutura da AG2R, atual Decathlon–CMA CGM.
Antes de virar fenômeno nas estradas, passou pelo ciclocross, modalidade que ajudou a desenvolver sua técnica refinada e o domínio da bicicleta em terrenos difíceis — algo que hoje impressiona nas clássicas e etapas de montanha.
O progresso de Seixas foi meteórico. Em 2024, foi campeão mundial de contrarrelógio na categoria júnior. Em 2025, já em seu primeiro ano completo no WorldTour, começou a mostrar sinais de que não era apenas mais um talento promissor. Foi campeão do Tour de l’Avenir (Volta do Futuro) e tornou-se o ciclista mais jovem do mundo a terminar no Top 10 do Critérium du Dauphiné.
Em entrevista ao Cyclingnews, demonstrou maturidade rara para um ciclista de apenas 18 anos: “Se houver uma oportunidade, vou aproveitá-la”, afirmou ao falar sobre correr contra os melhores do mundo. Naquele momento, o francês ainda falava em aprendizado, mas internamente já existia a percepção de que o país estava diante de algo especial.
Foi em 2026 que Seixas virou de vez a chave e decolou definitivamente a carreira profissional. O francês venceu etapas importantes, conquistou a Itzulia Basque Country (Volta ao País Basco) e entrou definitivamente na elite ao vencer a clássica belga La Flèche Wallonne com apenas 19 anos, tornando-se o mais jovem vencedor da história da prova. Poucos dias depois, assombrou o mundo ao terminar em segundo lugar na Monumento Liège–Bastogne–Liège, sendo o único capaz de acompanhar parcialmente um ataque de Pogačar na subida de La Redoute.
Curiosamente, apesar do enorme hype ao seu redor, Seixas demonstra uma serenidade impressionante. Antes da Strade Bianche, quando jornalistas começaram a compará-lo diretamente a Pogačar, o francês tratou de reduzir a pressão. “No momento, qualquer comparação com Pogačar não é real nem relevante”, disse ao Cyclingnews. Ao mesmo tempo, deixou claro que sonha alto. “Talvez um dia eu consiga seguir Pogačar”, afirmou, em uma frase que revela ambição e consciência do tamanho do desafio.
O impacto de Seixas já extrapola o esporte. O presidente francês Emmanuel Macron comentou recentemente que gostaria de ver o jovem permanecer em uma equipe francesa, especialmente diante do interesse de superpotências como a UAE Team Emirates-XRG. A movimentação do mercado em torno de Seixas virou assunto constante na imprensa europeia, com dirigentes e ex-dirigentes debatendo qual seria o ambiente ideal para o desenvolvimento da joia francesa. Para muitos analistas, Seixas representa não apenas um futuro vencedor de Grandes Voltas, mas também a esperança de encerrar o longo jejum francês no Tour de France.
Os números ajudam a explicar a empolgação. Ainda adolescente, Seixas já soma vitórias em provas de uma semana, resultados expressivos em clássicas WorldTour e atuações competitivas diante dos maiores nomes do ciclismo contemporâneo.
Além da capacidade nas montanhas, chama atenção sua versatilidade: sobe bem, pedala forte contra o relógio, tem técnica acima da média e demonstra leitura de corrida incomum para a idade. Em muitos aspectos, lembra a geração de ciclistas modernos moldada por treinamento científico, preparação precoce e mentalidade agressiva de corrida — exatamente o perfil que revolucionou o esporte nos últimos anos.
Tour de France
A última vez que um francês conquistou o título geral do Tour de France foi em 1985, com Bernard Hinault, e Seixas é o principal nome da nova geração francesa a reacender a esperança de ver novamente um ciclista do país no alto do pódio em Paris. O próprio Pogačar afirmou recentemente que espera ver Seixas na largada da Grand Boucle.
Ainda existe cautela dentro da Decathlon–CMA CGM sobre expor tão cedo um talento dessa dimensão a uma corrida de três semanas, mas o desempenho do francês nas clássicas e provas por etapas já sugere que ele pode ser competitivo imediatamente. Talvez ainda não seja o momento de disputar a classificação geral, mas uma vitória de etapa, protagonismo nas montanhas e até uma surpreendente colocação no Top 10 parecem cenários perfeitamente possíveis.
Independentemente do resultado no Tour deste ano, uma coisa parece certa: Paul Seixas já deixou de ser apenas promessa. O ciclismo mundial acompanha o nascimento de um novo protagonista — e a França, finalmente, acredita novamente que pode sonhar com um campeão capaz de marcar época.
Principais vitórias de Paul Seixas em 2026
Campeão geral da Itzulia Basque Country (Volta ao País Basco) – WorldTour
Campeão da classificação de montanha da Itzulia
Campeão da classificação por pontos da Itzulia
Campeão da classificação de jovens da Itzulia
Vitória na etapa 5 da Itzulia Basque Country
Vitória no contrarrelógio de abertura da Itzulia, em Bilbao
Vitória na etapa de Lekunberri da Itzulia
Vitória na etapa rainha da Itzulia
Campeão da La Flèche Wallonne 2026
Campeão da Ardèche Classic 2026
Vitória de etapa no Tour of the Algarve
Principais resultados e performances de destaque
2º lugar na Liège–Bastogne–Liège, atrás apenas de Tadej Pogačar
2º lugar na Strade Bianche, novamente atrás de Pogačar
Mais jovem vencedor da história da La Flèche Wallonne, aos 19 anos
Primeiro francês desde 2007 a vencer a Itzulia Basque Country









