Do Bikemagazine
Fotos de Alex Santos
O Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo de Pista e Estrada terminou no domingo (1º de março), em Indaiatuba (SP), depois de cinco dias de competição que começaram no dia 25 de fevereiro com as provas de pista e foram concluídos com as disputas de resistência na estrada.
O evento reuniu mais de 200 paraciclistas de 14 países do continente e reforçou o Brasil como sede de competições internacionais relevantes no calendário da modalidade.
No quadro geral de medalhas das provas de estrada, o Brasil encerrou a competição na primeira colocação, com 29 medalhas de ouro, 29 de prata e 27 de bronze, totalizando 85 pódios. A Colômbia terminou em segundo lugar, com 13 ouros, quatro pratas e dois bronzes, somando 19 medalhas. O México ficou na terceira posição, com seis ouros, seis pratas e uma medalha de bronze, alcançando 13 no total. A classificação final considera como critério principal o número de medalhas de ouro.
Entre os resultados da prova de resistência, a classe MC2 registrou domínio brasileiro, com as três primeiras colocações no pódio. Edson Fernando Jorge conquistou o ouro ao completar as 11 voltas em 1h20min57s. Roberto Franco Neto terminou na segunda posição, com o mesmo tempo na disputa definida no sprint final. O bronze ficou com Paulo Santana dos Santos, que cruzou a linha de chegada em 1h21min03s.
Na handbike masculina, pela classe MH3, Eduardo Ramos Pimenta confirmou o título após completar as 14 voltas em 1h53min26s, em uma das categorias mais concorridas do programa de provas. A segunda colocação ficou com o venezuelano Richard Leandro Espinoza Balza, que registrou 1h56min30s. O chileno Sebastian Morales Jaureguiberry garantiu o terceiro lugar ao concluir a prova em 1h57min50s.
Na classe WC2 feminina, Sabrina Custódia conquistou a medalha de bronze após uma corrida marcada por adversidades. A vitória ficou com a colombiana Daniela Carolina Munevar Florez, que completou as 10 voltas em 1h19min56s, seguida pela mexicana Gilda Andrea Ramirez, com 1h27min26s. Sabrina terminou com 1h26min31s, depois de enfrentar três problemas mecânicos ao longo da prova e precisar parar para ajustes em momentos distintos da corrida.
“Foi uma prova muito difícil. Tive três problemas mecânicos em momentos diferentes e precisei parar para resolver. Isso tira a gente do ritmo e compromete a estratégia, mas em nenhum momento pensei em abandonar. Fiz uma corrida de recuperação, buscando volta a volta diminuir a diferença. Foi uma disputa intensa com atletas muito fortes, e sair daqui com o bronze, mesmo com tudo o que aconteceu, me deixa feliz e motivada para seguir evoluindo”, afirmou Sabrina.
Entre os estrangeiros, um dos principais destaques do dia foi o colombiano Carlos Andrés Vargas Villanueva, vencedor da categoria MC5. Ele completou as 18 voltas em 1h58min07s e cruzou a linha de chegada com vantagem superior a cinco minutos sobre o segundo colocado, seu compatriota Edwin Fabian Matiz Ruiz, que registrou 2h03min47s. O argentino Ignacio Arnau ficou em terceiro com 2h03min50s.
O coordenador de paraciclismo da Confederação Brasileira de Ciclismo, Edilson Alves “Tubiba”, ressaltou o esforço coletivo para a realização do evento.
“A Confederação Brasileira de Ciclismo agradece a presença de todas as delegações que confiaram no Brasil para a realização deste Campeonato Pan-Americano. Trabalhamos para entregar uma competição organizada, segura e dentro dos padrões internacionais. Ficamos satisfeitos com o nível técnico apresentado e com o intercâmbio proporcionado entre os países do continente”, declarou.
Provas de estrada
A Avenida Domingos Ferrarezzi reuniu paraciclistas de 14 países nas provas de contrarrelógio. Depois de três dias dedicados à pista, o campeonato entrou na reta decisiva com as competições de estrada. No sábado (28 de fevereiro), foram conhecidos os primeiros campeões da modalidade, em disputas realizadas sob forte calor e vento intenso em Indaiatuba, condições que tornaram o circuito ainda mais exigente.
Alguns dos resultados de destaque da equipe brasileira vieram na classe MC5. O experiente paulista Lauro Chaman conquistou a medalha de ouro ao completar os 21,2 quilômetros em incríveis 28min21s650. O chileno Hernan Moya Contreras ficou com a prata, marcando 30min18s846, e o colombiano Carlos Andrés Vargas Villanueva completou o pódio com 30min22s284.
Na Handbike MH4, Ulisses Leal Freitas garantiu o primeiro lugar com o tempo de 36min51s968 para percorrer 25 quilômetros de prova. Rayr Barreto da Cruz terminou em segundo, com 36min57s780, e Paulo Eduardo da Costa ficou em terceiro, com 39min25s347.
“O circuito foi bastante técnico, muito semelhante aos traçados que encontramos em competições na Europa. Isso eleva o padrão da prova e nos prepara melhor. Tenho certeza de que este campeonato amplia as oportunidades para todos nós. Os países já vieram ao Brasil por confiança na organização e saem daqui com ainda mais respeito pelo que está sendo feito. Fico muito feliz com essa medalha. Treinei intensamente para chegar competitivo e sigo dentro de um processo que ainda tem metas maiores pela frente”, afirmou Ulisses.
Na classe WC1, Victoria Barbosa também conquistou o ouro, completando os 12,7 quilômetros em 34min49s467. Christiane da Silva Prado terminou na segunda colocação.
Victoria ressaltou o momento pessoal e o significado do resultado.
“Tenho passado por um período delicado, mas em nenhum momento deixei de acreditar. Continuei treinando com disciplina e foco. Conquistar essa medalha aqui, em um Pan-Americano realizado no Brasil, tem um significado muito grande para mim. É a confirmação de que vale a pena persistir”, declarou a campeã.
Entre os destaques estrangeiros no contrarrelógio, foi a vitória colombiana na categoria Tandem MB. Nelson Javier Moreno, com o piloto Weimar Alfonso Roldan Ortiz, conquistaram o ouro com o tempo de 28min31s705. A dupla argentina formada por Maximiliano Nicolas Perez Garcia e Nestor Willian Quinteros (piloto) ficou com a prata, marcando 30min19s550, enquanto os brasileiros Bruno Bonfim dos Anjos e José Eriberto Medeiros (Piloto) completaram o pódio com 30min21s247.
O desempenho no Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo 2026 é determinante para a definição de duas vagas diretas aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles.
A União Ciclística Internacional deverá confirmar nos próximos dias qual país ficará com essas vagas, que serão atribuídas com base no desempenho geral somando os resultados das provas de pista e de estrada realizadas na competição.
Mais informações no site oficial https://cbc.esp.br






